Quem mentiu mais no debate da Globo: Flávio teve mais falas falsas que Lula

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Checagens do debate da Globo apontaram mais declarações falsas de Flávio Bolsonaro do que de Lula nos trechos analisados. (Foto: Instagram)

As checagens do debate presidencial da Globo, realizado na noite de sexta-feira (23), apontaram mais declarações falsas de Flávio Bolsonaro (PL) do que do presidente Lula (PT). Estadão, Agência Lupa, UOL Confere e g1, por meio do Fato ou Fake, analisaram falas dos candidatos; o levantamento também reuniu verificações de Terra, Aos Fatos, ICL Notícias e piauí. Entre os temas checados estavam afirmações sobre Jair Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Banco Master, Precisa Medicamentos, Covaxin e Michel Temer, além de dados atribuídos ao Instituto Trata Brasil, CNDL, SPC Brasil, Tribunal de Contas da União e IBGE. As verificações consultadas também abordaram o encontro no Lago Paranoá, em Brasília, e a compra de um imóvel no Lago Sul.

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Na checagem da Agência Lupa considerada nesta reportagem, cinco declarações de Flávio foram classificadas como falsas, enquanto duas falas de Lula receberam essa classificação. O Fato ou Fake, do g1, encontrou ao menos uma afirmação falsa de cada candidato entre os trechos examinados. Já o UOL Confere apontou sete declarações falsas e outras sete enganosas de Flávio, em um conjunto de 18 falas do senador. As apurações também registraram declarações exageradas, imprecisas ou sem contexto, categorias diferentes de afirmações comprovadamente falsas. O resultado se refere às falas selecionadas para análise, e não a tudo o que os candidatos disseram.

O Estadão Verifica reuniu nove verificações do debate de sexta-feira (23). Nesse recorte, uma declaração de Flávio foi considerada falsa, uma enganosa e duas imprecisas; uma fala de Lula foi classificada como exagerada. O levantamento também confirmou declarações verdadeiras dos dois candidatos. Entre elas, o Estadão considerou correta a informação de Lula sobre o recorde de exportações brasileiras: em 2025, o país exportou US$ 348,7 bilhões, o maior valor da série histórica. Também foi confirmada a existência de milhares de obras públicas paralisadas: levantamento do Tribunal de Contas da União de 2025 identificou 11.469 nessa situação.

Entre as falas de Flávio classificadas como falsas ou imprecisas, a Agência Lupa contestou a negação de que Jair Bolsonaro tivesse debochado de pacientes com dificuldade para respirar durante a pandemia de Covid-19. Vídeos de 2021 mostram o ex-presidente imitando pessoas com falta de ar. Sobre a transposição do São Francisco, Flávio atribuiu a conclusão ao governo Jair Bolsonaro; a obra, porém, começou em 2006, no primeiro governo Lula, e passou por diferentes administrações. Bolsonaro entregou trechos, mas não iniciou o projeto. No tema do saneamento, Flávio disse que 90 milhões de brasileiros não tinham esgoto tratado e 40 milhões não tinham acesso à água tratada. Segundo o Instituto Trata Brasil, a estimativa de pessoas sem acesso à água potável em 2025 era de 34 milhões. O senador também falou em 80 milhões de brasileiros endividados; CNDL e SPC Brasil registravam 75 milhões de consumidores com contas atrasadas em setembro de 2026. Endividamento e inadimplência, contudo, são indicadores diferentes.

Lula exagerou ao dizer que Flávio havia comprado uma casa de R$ 10 milhões em Brasília: o imóvel no Lago Sul custou aproximadamente R$ 6,2 milhões, e o patrimônio total declarado pelo senador à Justiça Eleitoral era de R$ 8,1 milhões. O Estadão também considerou verdadeiras outras afirmações de Flávio: em levantamento de setembro de 2026, o Brasil tinha a maior taxa de juros reais do mundo, de 9,3%; em outubro, o governo havia anunciado reajuste de 15,04% no valor mínimo do Bolsa Família. A Agência Lupa, além das cinco falas falsas de Flávio e duas de Lula, encontrou declarações exageradas, sem contexto e sem sustentação, sem tratá-las automaticamente como falsas.

O UOL Confere desmentiu a afirmação de Flávio de que Lula teria defendido ladrões de celulares que roubavam para comprar cerveja. A acusação se baseou em uma gravação editada: no trecho original, Lula falava da rivalidade entre torcedores de futebol e da possibilidade de adversários conviverem pacificamente depois dos jogos. Flávio também disse que o governo Lula adiou para 2050 a meta de universalização do saneamento. Terra e Aos Fatos classificaram a declaração como falsa: o prazo legal para alcançar 90% de atendimento com coleta e tratamento de esgoto continua sendo 2033. Ele ainda atribuiu ao governo Lula a criação das apostas online no Brasil, embora a lei que autorizou as apostas de quota fixa tenha sido aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. O governo Bolsonaro não impediu a proliferação; posteriormente, o governo Lula regulamentou o mercado e agora proibiu as Bets no Brasil.

No debate, Lula cobrou explicações de Flávio sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e sobre um encontro em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, durante a pandemia e no período da negociação da compra da vacina Covaxin. Lula perguntou sobre fotografias em que os dois apareceriam juntos; Flávio não respondeu diretamente. A referência era a uma reportagem da revista piauí sobre encontro de 17 de julho de 2020, que teria reunido Flávio e empresários ligados à Precisa Medicamentos, empresa envolvida nas negociações da Covaxin com o governo Jair Bolsonaro. O ICL Notícias considerou verdadeira a informação sobre a participação de Flávio, com base na reportagem da piauí; Flávio negou a acusação no debate. Lula também teve declarações contestadas: entre elas, disse que a economia brasileira não crescia acima de 3% desde 2010, mas dados do IBGE mostram crescimento superior a esse patamar em outros governos, inclusive no de Jair Bolsonaro. Nas verificações consultadas da Agência Lupa, Flávio teve mais falas classificadas como falsas — cinco contra duas de Lula — e o UOL identificou sete afirmações falsas e sete enganosas do senador. Essas apurações documentam o recorte analisado antes da votação de domingo (25), marcada para o segundo turno.