
Daniel Vorcaro coordena sigilo de voo usado por Jaques Wagner, aponta PF (Foto: Instagram)
Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele ordenou cuidados extremos para manter sigilo em um voo que transportou o senador Jaques Wagner (PT-BA). A Polícia Federal apura se o uso recorrente de aeronaves privadas, sem registro de pagamento, configurou vantagem indevida ao parlamentar no âmbito do Caso Master. Os investigadores ressaltam a preocupação incomum de Vorcaro com logística e ocultação de rastros do trajeto, remetendo a possível coordenação direta da operação.
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As conversas, registradas em 11 de setembro de 2024, mostram Vorcaro orientando um interlocutor identificado como “Berg” sobre o hangar a ser utilizado na Bahia. Ele recomendou escolher um local “que ninguém conheça” e remover a aeronave rapidamente após a chegada, sem desligar o motor, para não atrair atenção. Segundo o relatório da PF, houve preocupação em evitar “conversa fiada” e expor menos possível os passos da operação.
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Nos diálogos, Vorcaro também acompanhou em tempo real o andamento do embarque e questionou o motivo da demora. Cerca de 50 minutos após a confirmação de que os passageiros haviam embarcado, ele voltou a perguntar sobre a previsão de desembarque. Recebeu informação de que um dos ocupantes já havia desembarcado e seguia de táxi para casa, antes de reiterar as instruções de dissimulação do pouso.
A partir das mensagens, a PF concluiu que Vorcaro exercia poder decisório sobre toda a logística da aeronave, seja como proprietário formal ou controlador de fato. As investigações apontam que Jaques Wagner utilizou, em ao menos quatro ocasiões, jatos vinculados a Daniel Vorcaro ou ao ex-sócio deste, Augusto Ferreira Lima, sem qualquer contrato ou registro de pagamento de contraprestação.
Os investigadores consideram esses voos parte de um conjunto de possíveis vantagens indevidas oferecidas ao senador, em especial devido às relações de Wagner com integrantes do Banco Master. Jaques Wagner passou a ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, que apontou indícios de recebimento de benefícios econômicos diretos ou indiretos por meio de familiares ou estruturas empresariais.
Na sexta-feira (11), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou a quebra de sigilo dos documentos relativos ao Caso Master, inclusive do relatório com as mensagens de Vorcaro. A abertura dos autos torna públicos trechos das conversas que alimentam a investigação sobre possíveis infrações penais e ilícitos de colarinho branco.
A defesa de Jaques Wagner foi contactada sobre as orientações de Vorcaro, mas não apresentou posicionamento até o momento. Os diálogos e interpretações da PF integram um inquérito em curso e não implicam, por ora, condenação definitiva do senador ou de outros envolvidos.








