
Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na Assembleia Geral da ONU, alvo de ação no TSE movida por Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)
O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilize, em material de campanha, imagens ou trechos do discurso que proferiu em 22 de setembro de 2026 na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ele argumenta que a inserção desse conteúdo fere as regras de propaganda eleitoral por se tratar de ato oficial.
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No discurso, Lula abordou pautas internacionais, mas também trouxe à tribuna temas já explorados em seus atos de campanha no Brasil. Ele afirmou que, em outubro, os eleitores terão de “decidir entre democracia e negacionismo” e destacou que não permitirá interferências de “inimigos da democracia, internos e externos” na vontade popular.
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Na petição apresentada ao TSE, a assessoria jurídica de Flávio Bolsonaro relembra que, em 2022, a Corte proibiu o então presidente Jair Bolsonaro de veicular trechos de seu discurso na mesma Assembleia Geral da ONU para fins eleitorais. Naquele pleito, Bolsonaro havia afirmado que o governo eliminou a “corrupção sistêmica” do país e criticado adversários de esquerda.
Os advogados de Flávio sustentam que o discurso de Lula na ONU foi “completamente desvirtuado e desnaturado, convertendo-se em palanque político para promoção pessoal e finalidade eleitoreira”. Segundo o documento, o presidente replicou nos discursos oficiais argumentos e slogans típicos de campanha, o que caracterizaria o uso indevido da estrutura pública.
O material anexado à ação cita a repetição de temas constantes em peças eleitorais do PT, como o fim da escala de trabalho 6 × 1, a repressão a apostas online (“bets”), a defesa do Pix e a afirmação da soberania nacional. O texto ainda menciona preocupações sobre exploração de terras-raras e possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Além disso, a representação acusa Lula de empregar “toda a estrutura pública para fins eleitorais”, destacando entrevistas em órgãos oficiais para promover discursos de cunho eleitoral, concentração de reuniões governamentais com promoção pessoal e uso de vídeos produzidos com recursos da presidência como “matéria-prima” para comunicação política.
Esta é pelo menos a 16ª representação da campanha de Flávio Bolsonaro junto ao TSE contra a chapa de Lula por suposto uso eleitoral da máquina pública nas eleições de 2026. A reportagem procurou a campanha do presidente Lula por e-mail e mensagem de texto para solicitar um posicionamento sobre o processo, mas não obteve retorno até a publicação.








