
O cão Orelha, símbolo de comoção que gerou ação por improbidade contra o ex-delegado Ulisses Gabriel. (Foto: Instagram)
O Ministério Público de Santa Catarina solicita a condenação do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, por improbidade administrativa. A Promotoria acusa o policial de aproveitar a repercussão do Caso Cão Orelha para promover sua imagem pessoal e política nas redes sociais. Na ação, cujo valor total é estimado em aproximadamente R$ 795 mil, o MP aponta desvio de finalidade no exercício do cargo e pede responsabilização civil pelos danos causados à coletividade.
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Na petição inicial, o Ministério Público pede uma indenização de R$ 200 mil por dano moral coletivo, além da aplicação de multa correspondente a até 24 vezes a remuneração recebida pelo ex-chefe da polícia. Os promotores também requerem que Ulisses Gabriel seja impedido de firmar contratos com o poder público pelo prazo de quatro anos, em razão da prática considerada ilícita.
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Segundo o MP, Ulisses extrapolou o limite da comunicação institucional ao assumir o protagonismo das notícias sobre a morte do cão comunitário. A acusação sustenta que ele usou a autoridade do cargo para fortalecer a imagem de “linha dura” no combate ao crime, transformando a investigação em vitrine pessoal.
A investigação menciona mais de 40 publicações feitas por Ulisses Gabriel no Instagram e em outras plataformas digitais sobre o Caso Cão Orelha, contra apenas sete compartilhamentos dos canais oficiais da Polícia Civil. Durante aquele período, o ex-delegado conquistou cerca de 75 mil novos seguidores e, em seguida, deixou o comando da corporação para disputar uma vaga de deputado estadual pelo PL.
Na ação, slogans como “aqui em SC o bambu ronca”, “linha dura contra o crime” e “pau que bate em Chico bate em Francisco” são apontados como artifícios para consolidar uma identidade política alinhada ao seu trabalho no órgão de segurança pública.
A defesa de Ulisses Gabriel nega qualquer irregularidade. De acordo com os advogados, ele atuou estritamente como porta-voz da Polícia Civil diante da forte comoção nacional gerada pelo caso e não buscou obter benefício pessoal ou eleitoral com suas manifestações.
O cão Orelha era considerado um animal comunitário pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis. Encontrado gravemente ferido em janeiro, o cão recebeu atendimento em uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos. O episódio provocou comoção em todo o país, manifestações de protesto e uma investigação que envolveu adolescentes. Um laudo de exumação não determinou com precisão a causa da morte nem descartou completamente a hipótese de agressão.








