
Vereador Jonas Marques registra BO contra o filho por compartilhamento de montagem íntima feita por IA (Foto: Instagram)
Jonas Marques, presidente da Câmara Municipal de Bocaina (PDT), no interior de São Paulo, tomou uma atitude drástica ao registrar boletim de ocorrência contra o próprio filho depois de descobrir que o adolescente era integrante de um grupo de WhatsApp onde circulava uma montagem íntima de uma estudante. Segundo o documento policial, a imagem simulava a nudez de uma aluna e foi produzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, o que agravou a situação diante da legislação vigente.
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Na sexta-feira (04), a situação veio à tona quando o Colégio São Lucas, em Jaú, entrou em contato com o vereador para comunicar a descoberta da montagem e informar sobre a participação do filho no grupo em que o material era compartilhado. A direção da escola, preocupada com a repercussão entre alunos e responsáveis, convocou Jonas Marques às pressas para detalhar o caso e buscar orientação sobre as providências a serem adotadas frente ao conteúdo abusivo.
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De acordo com o boletim de ocorrência, a imagem em questão não corresponde a nenhuma fotografia verdadeira da estudante. A montagem digital foi criada para simular uma situação de nudez e, embora não seja um registro real, reproduz de forma fiel o rosto e traços da aluna, tornando-se difícil distinguir o material manipulado de uma fotografia autêntica. Esse tipo de conteúdo, ainda que produzido artificialmente, configura crime e pode levar a sanções penais e cíveis.
Diante do ocorrido, Jonas Marques tomou a decisão de formalizar a denúncia mesmo diante do laço familiar, com o objetivo de promover a responsabilização legal dos envolvidos e transmitir aos adolescentes a gravidade de disseminar imagens íntimas, sejam elas reais ou criadas digitalmente. Para o vereador, é fundamental que as autoridades investiguem o caso de forma transparente e que o filho compreenda as consequências éticas e judiciais de suas ações, reforçando a importância da educação digital nas escolas.
Especialistas em segurança digital e direitos da criança e do adolescente alertam que, apesar de as montagens íntimas produzidas por inteligência artificial não retratarem situações reais, elas provocam efeitos semelhantes aos de uma exposição de nudez verdadeira, como constrangimento, danos psicológicos e prejuízos ao convívio escolar. Além disso, aqueles que produzem, compartilham ou simplesmente participam da disseminação podem ser responsabilizados conforme a legislação, já que o conteúdo contraria direitos de personalidade e proteção à imagem.
Com o boletim registrado, a polícia civil de Bocaina deverá aprofundar as investigações para apurar como a montagem foi confeccionada, identificar a origem da circulação e mapear todos os participantes do grupo de WhatsApp. A simples presença do filho do vereador no grupo não pressupõe autoria da criação da imagem, o que demanda análise individual de cada integrante. O episódio também destaca a urgência de políticas públicas e educativas que coíbam o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial para fins prejudiciais.








