
Fachada da igreja em Chungcung, no estado de Chin, cenário de conflitos entre tropas militares e civis. (Foto: Instagram)
O pastor William, líder da Chungcung Baptist Church, e o fiel Nam Ceu foram mortos sob custódia militar em Mianmar, sem passar por qualquer julgamento prévio, após serem acusados de ligação com um grupo de resistência armado. Ambos foram detidos em maio e suas mortes só vieram a público no fim de agosto, provocando reações de organizações internacionais de direitos humanos.
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Segundo relatório do Burma Research Institute (BRI), William e Nam Ceu foram capturados em 16 de maio enquanto se abrigavam em uma área rural próxima à vila de Chungcung, no estado de Chin. Na ocasião, cinco pessoas estavam no esconderijo, mas três conseguiram fugir. O pastor optou por permanecer no local acreditando que seu cargo religioso poderia evitar uma prisão.
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A acusação contra o pastor envolvia suposto apoio à Hakha Chinland Defense Force (CDF), organização armada que combate a junta militar que governa Mianmar desde o golpe de 2021. De acordo com o BRI, William e Nam Ceu foram executados em 4 de junho, configurando-se como execuções extrajudiciais, já que em nenhum momento houve apresentação de provas ou processo judicial.
William dedicou mais de 25 anos à liderança da Chungcung Baptist Church. Figura respeitada entre os cristãos do estado de Chin, ele deixa esposa e cinco filhos. A confirmação oficial da morte só ocorreu após intensa mobilização de familiares e líderes religiosos, que realizaram um culto memorial na vila de Chungcung em 26 de agosto.
O estado de Chin, onde a população cristã é maioria, tornou-se um dos principais palcos de confrontos entre forças de resistência e o Exército. Em outubro de 2021, soldados já haviam ocupado o templo de William, saqueado o espaço e destruído parte das instalações. Naquela mesma fase do conflito, a vila perdeu 118 das 300 casas, 16 civis foram mortos e cinco ficaram feridos.
Organizações de direitos humanos e entidades que monitoram a situação dos cristãos em Mianmar pedem responsabilização pelos assassinatos e criticam a ausência de qualquer julgamento. O BRI classificou as mortes de William e Nam Ceu como evidência dos riscos enfrentados por civis e líderes religiosos em zonas sob controle ou disputa militar.








