
Delegado da Cunha em operação da Polícia Civil paulista filmada para redes sociais (Foto: Instagram)
Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado da Cunha, assumiu seu primeiro mandato ao ser eleito deputado federal em 2022 pelo Progressistas de São Paulo. Atualmente filiado ao União Brasil, ele se posiciona com discurso conservador na pauta de segurança pública e integra um grupo de policiais e delegados influencers que conquistaram apoio popular. O Estadão solicitou manifestação do parlamentar, cujo espaço para resposta segue aberto.
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Na quinta-feira (3), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) determinou sua exoneração da Polícia Civil paulista após instauração de processos administrativos disciplinares na Corregedoria. Da Cunha é acusado de encenar prisões espetaculares, entre elas a de um suposto líder de facção, e promover operações midiáticas para divulgação em suas redes sociais e na televisão.
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Em 2023, o deputado foi alvo de denúncia de violência doméstica registrada por sua esposa, a nutricionista Betina Raísa Grusiecki Marques. Conforme boletim de ocorrência, Da Cunha teria insultado a esposa, ameaçado de morte, batido sua cabeça contra a parede e tentado enforcá-la, fazendo-a desmaiar. Ela obteve medida protetiva para impedir aproximações e contatos, e o parlamentar nega as acusações.
A projeção de Da Cunha se sustenta no conteúdo policial que ele compartilhava nas redes, principalmente no YouTube, canal que mantém desde 2013. A página era descrita como série de documentários sobre o cotidiano da Polícia Civil de São Paulo no combate ao crime organizado e às facções criminosas, com o objetivo de incentivar jovens a seguir carreira policial e evitar o crime.
Embora use o título de delegado – função obtida por concurso e nomeação, não vitalícia –, ele está licenciado da corporação desde junho de 2021. O Conselho da Polícia Civil concluiu dois processos administrativos contra ele: o primeiro, em junho de 2022, por forjar a prisão de um suposto líder do PCC e exibir o flagrante no YouTube sem aval, conteúdo que alcançou mais de 30 milhões de visualizações e cuja falsidade foi admitida pelo deputado.
Como delegado de 1ª classe, Da Cunha recebia R$ 17 mil mensais, valor que subiu para R$ 41,6 mil brutos como deputado federal, além de R$ 4,2 mil de auxílio-moradia — o equivalente a mais de 34 salários mínimos. A medida protetiva solicitada pela esposa, enquadrada como cautelar acessória no processo por violência doméstica, não interfere no mandato parlamentar. Ele só perderá a cadeira na Câmara se houver condenação definitiva, e atualmente nega todas as acusações enquanto o inquérito prossegue.








