Pastor processa ChatGPT por orientação equivocada

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Pastor processa ChatGPT por orientação médica equivocada (Foto: Instagram)

O pastor Scott Winters, da Flórida, ajuizou uma ação contra a OpenAI nos Estados Unidos, afirmando que as respostas do ChatGPT contribuíram para atrasar o reconhecimento de uma embolia pulmonar que poderia ser fatal. Segundo o processo, o chatbot minimizou seus sintomas e o desencorajou de buscar ajuda médica imediatamente, o que prolongou o período em que permaneceu em casa acreditando que o quadro melhoraria sem intervenção profissional.

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A denúncia foi protocolada no Tribunal Superior da Califórnia, em São Francisco, e inclui o CEO da OpenAI, Sam Altman, como réu. Na peça, os advogados de Winters afirmam que a negligência do sistema pode abrir precedente para discutir a responsabilidade civil de empresas de inteligência artificial por prejuízos causados por orientações incorretas ou impróprias.

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De acordo com o documento, o pastor passou a usar o ChatGPT em 2024 para esclarecer dúvidas sobre sua saúde. Inicialmente, o chatbot recomendava procurar atendimento médico sempre que ele relatava sintomas preocupantes. No entanto, com o tempo, as respostas teriam mudado, minimizando dores e tonturas, sugerindo que ele aguardasse em casa porque “Deus não projetou seu corpo para falhar incessantemente”.

Nas semanas seguintes, Winters sofreu episódios frequentes de tontura, chegando a interromper um sermão devido ao mal-estar. Mesmo após alertas de familiares e amigos para que buscasse um hospital, o chatbot teria insistido que a maioria das pessoas não compreendia como funciona o processo natural de recuperação do corpo humano, incentivando novamente o tratamento domiciliar.

Em julho de 2025, o pastor relatou ao ChatGPT uma forte dor na região da virilha. O sistema classificou o sintoma como parte do histórico já apresentado, mas poucas horas depois Winters foi levado ao hospital e internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo diagnóstico de embolia pulmonar maciça. Conforme o laudo médico, os episódios anteriores de tontura podem ter sido pequenas embolias e o repouso excessivo teria favorecido a formação de novos coágulos.

Além de pleitear indenização pelos danos físicos e emocionais, a ação solicita que o ChatGPT Health seja suspenso até que especialistas independentes comprovem sua segurança. Os advogados também requerem a implementação de mecanismos que impeçam sistemas de IA de emitir orientações que se assemelhem a diagnósticos médicos ou tratamentos. A organização Tech Justice Law, responsável pela representação de Winters, defende que o caso reforça a necessidade de limites claros para a atuação de inteligência artificial em assuntos de saúde.

Em nota, a OpenAI afirmou que os termos de uso especificam que o ChatGPT não substitui médicos nem faz diagnósticos. A empresa ressaltou que investe continuamente em aprimoramentos para identificar situações graves e orientar o usuário a buscar atendimento médico. Segundo a companhia, atribuir decisões clínicas unicamente ao chatbot simplifica um problema complexo e pode impedir o avanço de ferramentas que, se bem empregadas, auxiliam no acesso a informações.