
Lula terá de equilibrar promessas de benefícios e controle da dívida pública, enquanto economistas alertam para os desafios fiscais. (Foto: Instagram)
Após a campanha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de manter políticas de auxílio e isenções anunciadas sem perder o controle da dívida pública, que já está elevada. O governo reconhece que, sem mudanças nas contas, faltariam recursos para sustentar as políticas atuais a partir de 2028. Durante a campanha, Lula falou pouco sobre ajuste fiscal e prometeu benefícios como reajuste do Bolsa Família, isenção de dívidas do MEI e subsídio ao diesel.
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Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, os dados disponíveis não permitem afirmar se Lula conseguirá cumprir todas as promessas: “Não tem espaço fiscal para isso. Não tem espaço no orçamento.” A incerteza influenciou a Bolsa de Valores brasileira na segunda-feira, 26. Após pesquisas eleitorais e o resultado do primeiro turno, investidores esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que defendia cortes de gastos.
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Juliana Inhasz, professora do Insper, avaliou que a oscilação refletiu uma revisão das expectativas formadas depois do primeiro turno. Para ela, é difícil acreditar que Lula fará um ajuste fiscal no quarto mandato, já que não o realizou nos três anteriores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo pretende apresentar um projeto de lei complementar para perseguir o centro da meta fiscal, mas ainda não detalhou a proposta. Na terça-feira, 27, ele afirmou que o compromisso do governo é com responsabilidade e estabilidade fiscal, buscando melhorar as contas por meio do diálogo.
Clara Brenck, professora da UFMG e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made-USP), considera que o desafio é administrar a dívida sem reduzir a atividade econômica. Um estudo feito com outros pesquisadores da Made-USP indica que cortes elevados de gastos podem diminuir a circulação de recursos na economia e, por consequência, reduzir o PIB. Brenck diz que é necessário estabilizar a relação entre dívida e PIB e observa que projeções do Tesouro Nacional apontam para uma estabilização futura. Ainda assim, se as promessas forem implementadas sem reestruturação, a dívida pode crescer.
Inhasz alerta que o aumento dos gastos pode pesar no bolso da população. Como o governo também toma empréstimos, uma dívida maior eleva a demanda por recursos e pode pressionar os juros. O crédito mais caro afeta também quem não está endividado, com efeitos em cadeia que podem elevar os preços e o custo de vida. Os economistas ouvidos, porém, não veem neste momento sinais de uma crise ou recessão provocada pela dívida.
Agostini defende que o país fortaleça vantagens competitivas para melhorar as contas, como a matriz energética, a contribuição da floresta amazônica para a descarbonização e a segurança alimentar. Ele também cita o potencial dos minerais críticos, ainda pouco explorados em grande escala. A Austin Ratings, agência que avalia a capacidade de pagamento de governos, empresas e instituições financeiras, elevou o Brasil à categoria BB+ em 2023, após identificar melhores perspectivas de crescimento, a aprovação do arcabouço fiscal e a reforma tributária.
A classificação não mudou nos três anos seguintes, período em que, segundo Agostini, não houve alterações econômicas relevantes. Ele prevê que o cenário a partir de 2027 exigirá novas medidas e reformas e que uma nova avaliação poderá ocorrer entre o fim deste ano e o início do próximo, dependendo das decisões do governo. O mercado também acompanha a formação da próxima equipe ministerial, especialmente a escolha do ministro da Fazenda. Agostini acredita que investidores prefeririam alguém de fora do PT para o cargo. Lula também deverá negociar com um Congresso de composição majoritariamente oposicionista e buscar apoio de aliados do centrão.








