Eleições nos EUA: Obama, Flávio e inflação podem enfraquecer o presidente Donald Trump

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Eleição nos EUA pode reduzir o poder de Trump no Congresso (Foto: Instagram)

As eleições nos EUA, marcadas para terça-feira, 3 de novembro, podem tirar a maioria de Donald Trump no Congresso e reduzir sua força nos dois últimos anos de mandato. Barack Obama voltou aos palanques para apoiar os democratas, enquanto a guerra contra o Irã, que custou US$ 37,5 bilhões, a inflação e a entrada de Flávio Bolsonaro no país também geram críticas ao presidente. Entre os nomes envolvidos nas disputas e nas discussões estão Lula, Eduardo Bolsonaro, Marco Rubio, Abdul El-Sayed, Jocelyn Benson, Jon Ossoff e Keisha Lance Bottoms. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara, o Election Lab, o New York Times e a Associated Press também aparecem no debate eleitoral e migratório.
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Mais de 53 milhões de norte-americanos já votaram antes do dia oficial, um recorde de participação antecipada. Nos 27 estados que divulgam a filiação partidária dos eleitores, 43,1% dos votos registrados são de democratas e 31,7% de republicanos. O levantamento do Election Lab aponta aproximadamente 43% de democratas, 31,7% de republicanos e 25% de independentes ou pessoas filiadas a outras legendas. Esses percentuais indicam o registro partidário, não revelam em quem cada eleitor votou. A eleição renovará as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado, e pode alterar o equilíbrio de forças em Washington.

Pesquisas nacionais mostram vantagem democrata nas intenções de voto para o Congresso. A disputa pelo Senado é mais apertada, mas modelos eleitorais também apontam a possibilidade de mudança no controle da Casa. Obama participou, no sábado, 24 de outubro, de dois comícios: um em Cleveland, Ohio, e outro em Detroit, Michigan. Milhares de pessoas foram aos eventos. Em Cleveland, ele disse que os eleitores poderiam dar um basta a dois anos de caos, crueldade, corrupção e incompetência, e criticou o custo de vida e integrantes do governo republicano. Em Michigan, pediu votos para Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado, e Jocelyn Benson, candidata ao governo estadual, além de criticar as tarifas impostas por Trump ao Canadá.

Na quarta-feira, 28 de outubro, Obama discursou na Geórgia para apoiar o senador Jon Ossoff e Keisha Lance Bottoms, candidata ao governo estadual. Ele ironizou as reformas luxuosas feitas por Trump na Casa Branca e acusou o governo de criar distrações enquanto a população enfrenta dificuldades econômicas. Obama governou os Estados Unidos de 2009 a 2017 e segue como uma das principais figuras do Partido Democrata. Sua presença na reta final da campanha busca mobilizar eleitores, em especial jovens e a população negra. A votação antecipada também cresceu em estados com disputas importantes, como Texas, Maine, Kansas e Michigan, segundo análise da Associated Press, em comparação com o mesmo período de 2022.

A decisão de autorizar a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, depois de sua derrota para Lula no segundo turno da eleição presidencial brasileira de 25 de outubro, provocou críticas a Trump. Democratas questionaram a diferença entre a acolhida à família Bolsonaro e as dificuldades de estrangeiros que tentam entrar legalmente no país. Em 28 de outubro, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes perguntou por que pessoas que fogem das guerras no Sudão e da violência no Haiti enfrentam restrições, enquanto Flávio recebeu autorização para permanecer nos Estados Unidos. A crítica se relaciona à política migratória republicana, que restringe a entrada de refugiados e, segundo os congressistas, concede tratamento favorável a aliados políticos.

O New York Times publicou informações sobre a possibilidade de o governo Trump acelerar a obtenção de green card de Flávio Bolsonaro, como teria ocorrido anteriormente com Eduardo Bolsonaro. Milhares de estrangeiros enfrentam processos que podem levar anos até a residência permanente. Flávio e a família chegaram a Miami em 28 de outubro e receberam autorização temporária de permanência, o parole, válida até outubro de 2027; a medida não equivale a um green card. Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, disse que Trump decidiu pessoalmente permitir a entrada do senador, mas negou que o governo tenha organizado diretamente sua saída do Brasil.

As eleições de meio de mandato ocorrem dois anos depois da escolha presidencial e não substituem o chefe do Executivo, mas podem limitar sua capacidade de governar. Se perder a maioria na Câmara, Trump enfrentará uma oposição com mais poder para fiscalizar gastos federais, investigar ações do governo e dificultar projetos. Se os democratas também conquistarem o Senado, poderão interferir na aprovação de indicações presidenciais para cargos importantes, inclusive no Judiciário e na administração federal. Atualmente, os republicanos têm maioria nas duas casas; para controlar a Câmara, um partido precisa obter pelo menos 218 das 435 cadeiras.

A participação antecipada indica mobilização, mas não permite determinar o resultado: parte dos republicanos costuma preferir votar presencialmente no dia da eleição. A apuração começará depois do fechamento das urnas nesta terça-feira, e os horários variam entre os estados, de modo que resultados de disputas apertadas podem demorar a ser definidos. A guerra contra o Irã, os preços em alta e as críticas à política migratória estão entre os fatores que desgastam Trump, enquanto Obama tenta ampliar a participação democrata. Uma mudança de maioria no Congresso poderia dificultar a aprovação de propostas defendidas pelo presidente e modificar o equilíbrio político em Washington.