Exportações brasileiras beneficiadas pelo acordo Mercosul-UE crescem 21%, diz MDIC e Mapa

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Exportações brasileiras beneficiadas pelo acordo Mercosul-UE crescem 21% (Foto: Instagram)

As exportações de produtos brasileiros beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia aumentaram 21% nos primeiros cinco meses de aplicação das novas regras comerciais. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou o resultado em levantamento que compara, entre maio e setembro de 2026, as vendas de produtos com tarifas reduzidas ou eliminadas às registradas no mesmo período do ano anterior. Já dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que as exportações do agronegócio brasileiro aos 27 países da União Europeia também avançaram no período.

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A aplicação provisória do acordo começou em 1º de maio de 2026 e completou seis meses no domingo, 1º de novembro, após mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos. O levantamento do MDIC, divulgado em 29 de outubro, considera mercadorias que passaram a ter condições mais favoráveis para entrar no mercado europeu, com redução ou eliminação de impostos de importação. Entre os produtos brasileiros que ampliaram as vendas estão mel, óleo de milho, abacate e equipamentos industriais. O agronegócio também registrou alta: de maio a setembro, exportou US$ 12,21 bilhões para a União Europeia, crescimento de 14,8% em valor ante o mesmo intervalo de 2025. O volume embarcado foi de 17,74 milhões de toneladas, 8,1% a mais.

Um segundo levantamento, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em 1º de novembro, detalha o desempenho do setor. O total exportado passou de 16,42 milhões de toneladas, entre maio e setembro de 2025, para 17,74 milhões no mesmo período de 2026. Entre as altas em valor, os produtos apícolas, sobretudo o mel, cresceram 367%. As exportações de carnes avançaram 103,5% em valor e 170% em volume, de 101 mil para 272 mil toneladas. Produtos oleaginosos, exceto soja, tiveram alta de 161%, e produtos florestais, de 23%. As vendas de frutas, incluindo nozes e castanhas, aumentaram 15%.

Apesar do avanço de outros segmentos, o complexo soja permaneceu como o principal grupo de produtos do agronegócio brasileiro vendido à União Europeia. As vendas desse grupo cresceram 34,2% em valor no período analisado. A soja em grãos registrou aumento de 49% em valor e 35,1% em volume, enquanto as exportações de farelo de soja subiram 22,5% em valor e 10,6% em volume. Outros alimentos brasileiros também ampliaram sua presença no mercado europeu: as vendas de manga aumentaram 31,2% em valor e as de maçã, 28,8%. O café torrado teve alta de 91,6% em valor e 116,5% em volume.

O crescimento das exportações contribuiu para elevar o superávit comercial do agronegócio brasileiro com a União Europeia. Entre maio e setembro de 2025, o saldo positivo foi de US$ 9,01 bilhões; no mesmo período de 2026, chegou a US$ 10,54 bilhões, aumento de 17%. Assim, o Brasil vendeu ao bloco europeu mais produtos agropecuários e agroindustriais do que comprou. As importações brasileiras desses produtos provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão, alta de 3,3%.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia reúne países dos dois blocos e prevê a redução gradual de tarifas, regras de acesso aos mercados e condições específicas para determinados produtos. Algumas mercadorias brasileiras, entre elas café torrado, café solúvel e abacate, já começaram a receber benefícios tarifários. Para outros produtos, a redução dos impostos será feita ao longo dos próximos anos, conforme os cronogramas negociados. A parceria também estabelece exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade que os exportadores precisam cumprir.

Os primeiros levantamentos oficiais apontam aumento das vendas brasileiras à União Europeia e oportunidades para diferentes setores, mas será necessário acompanhar os próximos resultados para avaliar quanto do crescimento pode ser atribuído diretamente às novas regras comerciais. A redução de tarifas de importação abre possibilidades para empresas e produtores brasileiros e pode facilitar o acesso ao mercado europeu à medida que as medidas previstas forem aplicadas.