
Janones aposta na mobilização digital para ampliar o alcance de conteúdos favoráveis a Lula. (Foto: Instagram)
O deputado André Janones (REDE/MG) ganhou projeção ao orientar apoiadores de Lula a usar as redes sociais para ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao candidato. À frente do Exército do Lula, ele transformou um canal de WhatsApp em central de mobilização com 8,8 milhões de seguidores. A discussão também abrange as pesquisas DataFolha e Instituto Vox Brasil, o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), além de referências a Instagram, Zeeng, Camila Braga, O TEMPO, Meta, YouTube, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques e Jair Bolsonaro.
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Segundo o texto, Janones afirma que o mundo acompanha o que ocorre no Brasil e que recebeu convites de 7 países para falar sobre redes sociais e algoritmos depois da eleição. A estratégia, que busca estimular a circulação de publicações de Lula, coincide com o crescimento do candidato nas pesquisas. O DataFolha aponta empate em 50 x 50, enquanto o levantamento do Instituto Vox Brasil divulgado no dia 18 indica Lula com 51% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 49%. Os números não são definitivos, mas despertam atenção no Brasil e na imprensa internacional.
No Exército do Lula, Janones compartilha orientações organizadas em dois pilares. O primeiro é reduzir sinais de interesse por conteúdos da direita: ele recomenda não assistir, clicar, comentar nem compartilhar publicações sobre Flávio Bolsonaro. Também orienta os seguidores a não responderem às críticas a Lula nos posts da oposição. A ideia é evitar que interações ajudem a indicar às plataformas que esse conteúdo interessa aos usuários.
O segundo pilar, chamado por Janones de “Explodeeee”, incentiva os apoiadores a curtir, comentar e compartilhar publicações favoráveis a Lula, seguir os usuários que as produzem e criar vídeos próprios. O deputado também divulga hashtags para que o Exército do Lula as publique nos comentários de outras postagens. De acordo com o relato, a intenção é sinalizar relevância aos algoritmos e fazer os conteúdos chegarem a mais pessoas. Milhões de seguidores passaram, assim, a receber mais publicações sobre Lula do que sobre Flávio Bolsonaro, o que pode influenciar votos e animar eleitores após a derrota do presidente no primeiro turno.
A diferença entre influenciar recomendações e controlar uma plataforma é ressaltada no texto. A Meta informa que o Instagram considera a probabilidade de uma pessoa curtir, comentar, salvar ou interagir com uma publicação. O YouTube, por sua vez, diz usar sinais como cliques, tempo de visualização e compartilhamentos para personalizar recomendações. Mudanças no comportamento dos usuários podem alterar o que aparece nas telas e a circulação das postagens, sem necessariamente modificar o funcionamento interno dos algoritmos.
A esquerda, segundo a pesquisa da Zeeng sobre os 100 políticos mais influentes no Instagram no primeiro semestre de 2026, ainda tinha participação menor que a direita: 76 nomes eram da direita ou centro-direita, contra 16 da esquerda ou centro-esquerda. O texto relaciona o debate sobre redes e política à reeleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, em 2024, e à eleição de Milei na Argentina, em 2023, além do uso das plataformas por partidos de direita na Europa. Camila Braga, especialista em comunicação política entrevistada pelo jornal O TEMPO, afirmou que tem observado uma militância de esquerda muito ativa, algo que, segundo ela, não acontecia antes.
Janones, natural de Ituiutaba, no interior de Minas Gerais, passou de cobrador de ônibus a advogado e deputado federal. Conhecido por um estilo espontâneo, irreverente e expansivo, foi tratado por alguns como personagem das redes ou meme, mas conquistou espaço na mobilização digital em torno de Lula. Ele também promoveu uma live com o presidente Lula que, conforme o texto, havia sido vista por mais de 6,6 milhões de pessoas. O deputado diz defender há oito anos que a esquerda transforme sua comunicação e aprenda como funcionam os algoritmos. Nas redes, circula ainda uma imagem dele vestido como São Janones Tadeu, chamado de “o padroeiro das viradas impossíveis”.
Na sexta-feira, 23 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro e descrito no texto como envolvido em escândalos, determinou que a Meta apresente informações sobre as atividades do canal Exército do Lula. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e busca esclarecer padrões de engajamento e possível amplificação coordenada de conteúdos. Especialistas em direito eleitoral ressaltam que organizar apoiadores para compartilhar mensagens e participar de campanhas digitais não é, por si só, irregular. O texto afirma que, independentemente do resultado de domingo, o crescimento da mobilização nas redes, nas ruas e nas pesquisas mostra que a tática de Janones funcionou. Caso Lula vença, poderá ser o primeiro candidato derrotado no primeiro turno a virar o resultado e ganhar a eleição presidencial no segundo.








