
Presidente Lula discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU e recebe aplausos em quatro momentos (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi interrompido por aplausos em quatro momentos enquanto discursava, por cerca de 20 minutos, na abertura da 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. O chefe do Executivo brasileiro criticou duramente a inércia global em relação à paz, apontou falhas de governos e instituições internacionais e destacou desafios internos do Brasil, que se prepara para as eleições do próximo mês.
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O primeiro aplauso ocorreu quando Lula lembrou que a Assembleia Geral corrigiu distorções históricas ao reconhecer o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. Ao mencionar o episódio, o presidente enfatizou a importância de revisitar o passado para promover justiça e reafirmou o compromisso do Brasil com valores que repudiam qualquer forma de racismo ou exploração.
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O segundo aparte veio quando Lula defendeu o Tribunal Penal Internacional (TPI) e sua relatora especial para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese. O presidente ressaltou que atacar o TPI e cercear a atuação de especialistas como Albanese estimula a impunidade de crimes graves. Ele criticou sanções e pressões políticas impostas pela administração norte-americana e países aliados, afirmando que a voz da relatora não pode ser silenciada pela verdade.
O terceiro momento de aclamação se deu ao tratar da soberania dos países latino-americanos e caribenhos, com menção direta ao Brasil. Sem citar nominalmente os Estados Unidos, Lula afirmou que, dada a proximidade geográfica com “a maior potência militar do mundo”, há riscos constantes de tentação hegemônica. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, defendendo parcerias baseadas em agendas positivas que estimulem o desenvolvimento conjunto, independentemente de diferenças ideológicas.
O quarto aplauso foi registrado quando o presidente apresentou o projeto de encerramento da escala de trabalho 6 x 1, que garante ao trabalhador dois dias de folga semanal. Lula destacou a relevância dessa mudança para reduzir a sobrecarga doméstica que ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres. “Estamos construindo um Brasil onde elas não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou chegar ao mercado de trabalho”, afirmou, propondo um país livre do feminicídio em todos os ambientes.
Ao final da apresentação, o presidente recebeu mais uma salva de palmas, seguindo a tradição desses encontros internacionais em que os discursos mais contundentes costumam ser celebrados pelos demais representantes.








