Produtor de Dark Horse diz que só entregará documentos à PF com ordem da Justiça dos EUA

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Cartaz promocional de “Dark Horse”, longa sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (Foto: Instagram)

O americano Michael Brian Davis, sócio da produtora GoUp Entertainment responsável pelo filme “Dark Horse”, afirmou que os documentos solicitados pela Polícia Federal só serão enviados se houver determinação da Justiça dos Estados Unidos. A declaração está em um e-mail datado de 2 de setembro, enviado à sócia brasileira Karina Gama, e foi incluída no inquérito que apura se o longa, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu recursos do Banco Master. Na sexta-feira (11), o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça tornou público o sigilo das investigações.
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Entre os papéis entregues pela GoUp estão centenas de notas fiscais de hospedagem de atores e da equipe técnica, comprovantes de transferências bancárias e contratos com artistas brasileiros. No entanto, os acordos com os atores norte-americanos não foram apresentados ao inquérito, o que reforça a exigência de autorização externa para sua liberação.
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No corpo da mensagem, Davis destaca que “eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua”. Ele ressalta que qualquer entrega de informações dependerá de ordem de um juiz norte-americano, garantindo à empresa o direito ao contraditório.

Em junho, a GoUp apresentou uma perícia particular indicando que US$ 13,4 milhões teriam sido usados nos Estados Unidos para a produção de “Dark Horse”, mas não detalhou a aplicação desses recursos em itens como logística ou cachês específicos.

A Polícia Federal investiga ainda se parte desse montante foi destinada ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) durante sua estadia nos EUA, iniciada em fevereiro de 2025. O fundo que supostamente financiou o político é administrado pelo escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, do advogado Paulo Calixto, que o representa em processos nos Estados Unidos. A Procuradoria-Geral da República acusa Eduardo de articular sanções contra autoridades brasileiras.

Além desse inquérito sobre o uso de recursos do Banco Master, há um procedimento que apura o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG representada por Karina Gama, para instalação de pontos de wi-fi em áreas periféricas. Desde quinta-feira (10), essa apuração, inicialmente conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, tramita sob a relatoria do ministro do STF Flávio Dino.

Outro inquérito, também sob Dino, investiga emendas parlamentares enviadas ao ICB por deputados federais. A suspeita é de que esses valores tenham sido repassados à GoUp por meio de empresas intermediárias. Na quinta-feira, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito dessa apuração.