
O Gol bege de Suzane von Richthofen e o crime de 2002 (Foto: Instagram)
O Volkswagen Gol Highway 2002 na cor bege Júpiter, presenteado a Suzane von Richthofen pelos pais após sua aprovação no vestibular de Direito da PUC-SP, ganhou papel central em um dos crimes mais chocantes do país. Embora concebido como recompensa acadêmica, o automóvel foi usado para transportar os irmãos Cravinhos na noite de 31 de outubro de 2002, quando Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados. Participante da reconstituição oficial, o veículo foi retirado do processo e vendido em 2006.
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O carro, zero-quilômetro à época, entrou na rotina de Suzane até que meses depois serviu de instrumento para o crime. Presentes de grande valor emocional, os pais de Suzane entregaram o Gol como reconhecimento pelo ingresso no curso de Direito. Na noite do homicídio, Suzane dirigiu até a mansão da família no bairro do Brooklin, Zona Sul de São Paulo, levando Daniel e Cristian Cravinhos até a residência.
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O Gol fazia parte da série Highway, versão especial do Gol G3 lançada no fim de 2001. No lançamento, o modelo custava R$ 21.495, valor que hoje equivaleria a cerca de R$ 117,8 mil. Equipado com vidros escurecidos, supercalotas, para-choques na cor da carroceria e painel com conta-giros, o veículo trazia motor 1.0 16 válvulas de 76 cavalos e câmbio manual de cinco marchas, destinado principalmente ao uso urbano. Cerca de 9 mil unidades foram produzidas.
Na noite de 31 de outubro de 2002, Suzane dirigiu o Gol até a mansão da família, localizada no Brooklin, Zona Sul de São Paulo. Daniel Cravinhos, namorado de Suzane na época, e seu irmão Cristian estavam no banco de trás. Após o carro estacionar, os irmãos entraram na casa e mataram Manfred e Marísia enquanto o casal dormia, consumando um dos crimes mais notórios do país.
Posteriormente, o mesmo automóvel foi utilizado pelas autoridades na reconstituição oficial, servindo para reproduzir os deslocamentos e detalhes apresentados durante as investigações. Assim, aquele presente — antes símbolo de conquista acadêmica — tornou-se prova crucial no inquérito e nas fases processuais do caso.
Após a prisão dos responsáveis, o Volkswagen Gol permaneceu estacionado na garagem da residência, junto a uma Chevrolet Blazer 1997 de Marísia. Sob custódia de um tio paterno, o veículo ficou guardado por cerca de quatro anos, período em que Andreas, irmão mais novo de Suzane, ainda era menor de idade. Em 2006, o Gol Highway foi vendido: segundo o jornalista Ullisses Campbell, já havia mais de 12 mil quilômetros rodados e era utilizado rotineiramente por Suzane antes do crime.
Um detalhe adicional ganhou notoriedade em adaptações audiovisuais da tragédia: a cena em que Manfred supostamente promete à filha um carro ainda melhor caso ela fosse aprovada na Faculdade de Direito da USP é fruto de ficção. Conforme apuração de Campbell, esse diálogo não ocorreu na realidade, pois Suzane ingressou de fato na PUC-SP, e não na USP.








