
Relatório da PF aponta divisão em investigação contra Lulinha (Foto: Instagram)
Um relatório de inteligência da Polícia Federal revelou uma divisão interna nas equipes responsáveis pela apuração do caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. O documento contesta os procedimentos adotados durante a investigação e destaca que as primeiras evidências ligando o empresário a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram consideradas frágeis pelos próprios agentes.
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Segundo o arquivo, produzido por uma unidade de inteligência da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) e encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o conteúdo é descrito como “sem valor probatório” e não serve para fundamentar acusações. Em diversos trechos, as informações são qualificadas com confiabilidade “baixa ou moderada”, pois se baseiam predominantemente em relatos verbais.
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O documento também chama atenção para a fase inicial da Operação Sem Desconto, que foi apelidada internamente de “Operação Elli”, em alusão à letra “L”. Para os autores do relatório, essa escolha de codinome poderia sugerir ligação preconcebida a Lulinha, comprometendo a aparência de imparcialidade e causando possível dano reputacional. A recomendação é apurar quem definiu esse nome, quando a decisão foi formalizada e se houve descumprimento de normas internas, remetendo o episódio à Corregedoria da corporação, se comprovada irregularidade.
A análise ainda descreve o surgimento de tensões funcionais após a mudança, em maio, na coordenação da Operação Sem Desconto. Até então sob a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, o inquérito foi transferido para a Coordenadoria de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, com a substituição do delegado responsável. Os novos responsáveis passaram a questionar as decisões anteriores e a aplicar um crivo jurídico e investigativo mais rigoroso.
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que o relatório reforça indícios de direcionamento na investigação e defendeu o arquivamento das acusações contra ele. Apesar das ressalvas iniciais, as apurações ganharam novo impulso após a análise do telefone da lobista Roberta Luchsinger, apontada como peça-chave para a elucidação dos fatos.
A Polícia Federal agora sustenta que Roberta teria intermediado negócios de empresários com o governo federal e mantido uma sociedade oculta com Lulinha. Com base nesses indícios, a corporação solicitou a abertura de três inquéritos para investigar suspeitas de tráfico de influência e outros possíveis crimes relacionados às atividades financeiras e comerciais do filho do presidente.








