Caso Bacabal: desaparecimento das crianças completa oito meses e mãe faz apelo

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Enquanto aguarda notícias há oito meses, Clarice Cardoso mantém viva a esperança de encontrar Ágatha Isabelly (6) e Allan Michael (4), desaparecidos em Bacabal (MA). (Foto: Instagram)

O sumiço de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, alcança oito meses sem que a família receba qualquer informação concreta sobre onde eles estão. As crianças desapareceram em 4 de janeiro na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), e, desde então, mãe e parentes seguem mobilizados em busca de respostas. Clarice Cardoso, mãe dos irmãos, mantém a esperança de localizá-los e não descarta nenhuma linha de investigação enquanto aguarda esclarecimentos das autoridades.

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Diversas operações de busca foram realizadas por terra, ar e água, envolvendo polícia militar, polícia civil, bombeiros e voluntários. Três dias após o desaparecimento, Anderson Kauã, primo das crianças e então com 8 anos, foi encontrado vivo a cerca de quatro quilômetros do local onde Ágatha e Allan foram vistos pela última vez. No entanto, não houve sinal conclusivo sobre o paradeiro dos irmãos, que continuam sem ser localizados.

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Para Clarice, o distanciamento forçado dos filhos transformou sua rotina e reforçou sua determinação. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, declarou. A cada dia sem notícias, ela intensifica o apelo público e cobra agilidade nas investigações.

Além de buscar respostas para seu caso específico, Clarice tem usado sua trajetória para dar voz a outras famílias quilombolas que enfrentam desaparecimentos sem o devido acolhimento. “Me chamo Clarice Cardoso Reis, sou mãe negra quilombola. E a partir de agora nasce uma voz. Uma voz que não vai se calar enquanto eu não encontrar a resposta do desaparecimento do meu filho. A dor da perda me fez mais forte para lutar, pra representar todas as mães que tiveram seus filhos perdidos”, afirma em vídeo amplamente compartilhado.

A mobilização também alcançou instâncias federais. Em maio, parlamentares da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil visitaram São Sebastião dos Pretos para ouvir Clarice e fiscalizar as diligências em campo. Representantes de diferentes órgãos envolveram-se na apuração, mas, até o momento, nenhum indício sólido sobre o destino de Ágatha e Allan foi apresentado.

Enquanto isso, a família mantém esforços para preservar memórias e compartilhar informações que possam levar ao encontro das crianças. Reconstituições, depoimentos e varreduras em áreas de mata continuam acontecendo, mas a comunidade aguarda um ponto de virada nas investigações. A ausência de pistas gera angústia e reforça o apelo de Clarice para que o caso não seja esquecido com o passar do tempo.