Futebol feminino bate recorde na janela de transferências e rende milhões ao Brasil

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Kerolin, nova atacante do Barcelona, em ação pela seleção brasileira. (Foto: Instagram)

O mercado de transferências do futebol feminino viveu um momento histórico em 2026, segundo o último relatório da Fifa. O volume de investimento ultrapassou US$ 28,6 milhões (aproximadamente R$ 145,6 milhões), o dobro do registrado em 2025, firmando a modalidade em uma crescente profissionalização e valorização global.
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Na liderança dos gastos, a Inglaterra destina US$ 8 milhões para reforçar seus elencos. Em seguida, aparecem Espanha (US$ 6,6 milhões), Alemanha (US$ 4,9 milhões), Estados Unidos (US$ 2,9 milhões) e Itália (US$ 2,1 milhões), mostrando a distribuição crescente de recursos entre as principais potências do futebol feminino.
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Apesar de ocupar a 35ª posição no ranking global de investimentos, com aporte de apenas R$ 203 mil em 11 novas contratações, o Brasil brilhou no lado das vendas. Os clubes nacionais concretizaram 20 transferências de jogadoras para o exterior, gerando receitas totais de cerca de US$ 748 mil (aproximadamente R$ 3,8 milhões), um crescimento de 5,3% em relação aos anos anteriores que evidencia o potencial comercial das atletas brasileiras.

O destaque fica por conta da atacante Kerolin, que assinou com o Barcelona por quatro temporadas, vínculo válido até o final de 2030, após passagens nas últimas edições da liga inglesa pelo Manchester City. Estima-se que a negociação tenha chegado a 1,5 milhão de euros (R$ 8,6 milhões), valor que se tornou a maior venda do City no feminino, a contratação mais cara do Barça na modalidade e a transferência mais valiosa de uma brasileira na história, superando o recorde anterior de R$ 5,89 milhões de Amanda Gutierres ao Boston Legacy. Sergio Feltrini, agente da Roc Nation Sports International, ressalta: “Kerolin é um exemplo dentro e fora de campo. Ela compreendeu como poucos atletas que a performance esportiva pode gerar frutos comerciais, e mais uma vez foi protagonista de uma transferência marcante para o futebol brasileiro.”

Outro negócio de peso envolveu a zagueira Leticia Teles, que trocou o Corinthians pelo clube saudita Al-Qadsiah por cerca de US$ 700 mil (R$ 3,5 milhões). Esse montante representa a maior venda da história alvinegra e a segunda transação mais cara já realizada por uma jogadora brasileira no futebol feminino. Renata Armiliato, gerente de futebol feminino do Internacional, comenta: “Esse crescimento mostra que o esporte feminino, especialmente o futebol, está conquistando espaço não só em visibilidade, mas também em receita. O desafio agora é transformar esse momento em estrutura, investimento e continuidade.”

Em escala global, a Fifa contabilizou 1.406 transferências internacionais de jogadoras profissionais em 2026, um aumento de 19,2% em comparação ao último recorde. “Os números confirmam que o futebol feminino deixou de ser um mercado de potencial para se tornar um mercado de investimento robusto. A liderança inglesa revela uma estrutura cada vez mais profissional, disposta a alocar recursos em grandes talentos”, avalia Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e organizador da Brasil Ladies Cup.