
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro depõe ao STF e aponta influência de altos nomes da PF (Foto: Instagram)
Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que a negociação de sua delação premiada não avançou porque as revelações poderiam envolver o então diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e políticos influentes. A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, solicitou o arquivamento das denúncias por ausência de provas concretas apresentadas pelo acusado.
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O ex-banqueiro relatou que mantinha uma relação anterior com Andrei Rodrigues, incluindo viagens conjuntas a eventos, o que, segundo ele, levou delegados da PF a recusarem seu testemunho. A declaração foi prestada ao gabinete do ministro André Mendonça, sem representantes da corporação presentes, e colocou em evidência os bastidores das tratativas para uma possível colaboração premiada.
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Vorcaro está detido desde novembro em razão das investigações ligadas ao caso Banco Master. Durante a oitiva, o ex-banqueiro admitiu que já havia tentado firmar acordos de colaboração em oportunidades anteriores, mas as autoridades teriam freado as negociações por receio de envolver figuras políticas e órgãos de alta cúpula.
Segundo Vorcaro, as informações que ele dispunha poderiam atingir “pessoas do outro lado da mesa” e integrantes de um “núcleo político”. Questionado sobre o vínculo com Andrei Rodrigues, confirmou que a proximidade com o ex-diretor-geral da PF foi fator decisivo para autoridades recusarem a ouvir seus relatos. Ele também afirmou que possuía dados sobre outros membros do governo federal.
Embora Vorcaro tenha detalhado suas suspeitas, a PGR considerou o conteúdo insuficiente e pediu o arquivamento, reforçando que as alegações careciam de elementos mínimos para comprovação. Em parecer anterior, a Procuradoria já havia vetado outra proposta de colaboração por não conter informações inéditas capazes de embasar uma delação.
Além das tentativas de acordo, o ex-banqueiro denunciou ter sofrido ameaças e maus-tratos na prisão, sob pressão para não expor nomes de autoridades ou agentes da Polícia Federal. Até o momento, essas alegações não contam com provas materiais que corroborem sua versão.
O depoimento ocorre em meio à crescente repercussão do caso Banco Master, marcado por apreensões de mensagens e indícios de contatos de Vorcaro com setores públicos. A defesa do ex-banqueiro permaneceu em silêncio sobre o teor do depoimento e Andrei Rodrigues também não se manifestou oficialmente até a divulgação das informações.








