HIV: médicos anunciam mais dois casos de cura da doença

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Mãos abertas seguram a fita vermelha, símbolo da luta e pesquisa pela cura do HIV. (Foto: Instagram)

A ciência deu mais um passo relevante na busca pela cura do HIV. Durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, foram anunciados dois novos casos de pessoas consideradas curadas ou em remissão prolongada do vírus. Identificados como pacientes Ascent e Kansas City, eles passam a integrar a lista daqueles que conseguiram controlar o HIV sem recorrer a medicamentos após transplante de células-tronco. Com essas adições, já são 13 casos confirmados mundialmente.

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Os históricos dos pacientes serão apresentados em uma sessão científica dedicada às pesquisas de cura do HIV. O imunologista Christian Gaebler, da Charité Universitätsmedizin Berlin, antecipou os resultados em um evento preparatório para a conferência. Segundo o pesquisador, esses achados reforçam os avanços no controle do vírus e aprofundam o entendimento dos mecanismos que podem levar à remissão da infecção.

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Apesar do impacto das novas notificações, especialistas enfatizam que o transplante de células-tronco não representa uma terapia disponível para a maioria das pessoas com HIV. O procedimento é complexo, de alto risco e indicado apenas em situações muito específicas. Envolve risco elevado de rejeição e complicações que podem ser fatais. Por isso, não há indicativo de que esse método seja adotado isoladamente no tratamento da infecção pelo vírus.

Todos os pacientes que alcançaram cura ou remissão prolongada também apresentavam leucemia ou outros cânceres hematológicos, enfermidades que exigiam transplante de medula óssea como parte fundamental do tratamento. Essa exigência reforça que o método, além de arriscado, está restrito a quem enfrenta doenças onco-hematológicas associadas e não pode ser aplicado em todos os casos de HIV.

Desde o primeiro caso de cura, o chamado “paciente de Berlim”, cientistas têm investigado os processos que permitem eliminar ou controlar o HIV sem uso de antirretrovirais. Na época, acreditava-se que a mutação genética rara CCR5-delta32 fosse imprescindível para impedir que o vírus entrasse nas células do organismo.

No entanto, casos posteriores mostraram remissões mesmo quando o doador não possuía essa mutação, indicando que outros fatores do sistema imune podem desempenhar papel central na supressão do HIV. Esses achados ampliam o horizonte de alvos terapêuticos potenciais para futuras abordagens.

Além dos transplantes, pesquisadores trabalham em alternativas que possam alcançar um número muito maior de pacientes, como terapias com anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs), células CAR-T modificadas, edição genética do gene CCR5 e novas modalidades de imunoterapia. Embora ainda em estágios iniciais, essas estratégias têm potencial para permitir que pessoas vivendo com HIV controlem o vírus sem depender de medicação contínua.