
A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou forte volatilidade nos mercados nesta segunda-feira (2), com o preço do barril de petróleo em alta e o dólar se valorizando frente ao real diante das crescentes incertezas geopolíticas e riscos de sanções ampliadas na região.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Por volta do meio-dia, o barril de Brent, referência global, era negociado próximo a US$ 79, representando alta de cerca de 7%, enquanto o WTI em Nova York avançava aproximadamente 6%, superando os US$ 71. Durante o pregão, o Brent chegou a romper a barreira dos US$ 80, acumulando ganhos de dois dígitos. No Brasil, as ações da Petrobras na B3 registraram valorização próxima de 4%.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Especialistas atribuem a disparada dos preços ao risco de interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Localizado ao sul do Irã, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o estreito concentra a saída de cargas de países exportadores como Irã, Arábia Saudita e Iraque. Relatos de embarcações impedidas de seguir viagem elevaram as preocupações com bloqueios prolongados.
Mesmo com a sinalização da OPEP+ para aumentar a produção e compensar eventuais perdas, analistas ressaltam que o principal entrave é logístico. Um bloqueio na rota poderia gerar desequilíbrios imediatos no abastecimento global, já que a oferta não poderia ser facilmente redirecionada por outras vias marítimas.
No Brasil, apesar de ser exportador de petróleo, o país importa parte significativa dos derivados, o que tende a elevar o custo dos combustíveis. Esse aumento pode pressionar a inflação medida pelo IPCA e, em consequência, forçar repasses de preços a produtos e serviços. Dados recentes do IBGE já indicavam leve alta nos preços administrados, e um novo choque de custos poderia obrigar o governo a revisar estimativas econômicas e de arrecadação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que havia sinalizado redução gradual da Selic a partir dos atuais 15% ao ano, deve reajustar o ritmo de corte de juros diante da escalada do conflito. Membros do Copom acompanham de perto os indicadores de inflação e o comportamento do câmbio antes de determinar o tamanho do próximo ajuste.
A reação adversa ao risco elevou o dólar, após semanas de queda, a cerca de R$ 5,20 por volta das 12h, avanço de aproximadamente 1%. Esse movimento reflete o “flight to safety”, quando investidores migram de ativos de mercados emergentes para títulos e moedas considerados mais seguros, como o dólar.
Analistas alertam que, enquanto as tensões no Estreito de Ormuz persistirem ou se intensificarem, o preço do petróleo deve se manter em patamares elevados, prolongando a pressão sobre o câmbio, a inflação e a trajetória dos juros nas próximas semanas.







