Lula votou contra a Constituição de 1988? Saiba o que ocorreu

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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro reacende discussão sobre a votação da Constituição de 1988. (Foto: Instagram)

Uma fala no debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), exibido pela TV Globo, trouxe novamente à discussão a participação do atual presidente na elaboração da Constituição Federal. O episódio ocorreu há quase quatro décadas e voltou ao centro da disputa política às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. A questão reapareceu em 24/10/2026, após Flávio mencionar o caso na televisão.

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Na sexta-feira (23), Flávio afirmou que Lula votou contra a Constituição de 1988, documento que estabeleceu direitos fundamentais e organizou o atual sistema democrático brasileiro. A afirmação é correta, mas exige contexto: Lula rejeitou a redação final na votação, embora tenha assinado a Carta Magna junto dos outros integrantes da bancada petista.

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Na época, Lula era deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar uma nova Constituição depois do período da ditadura militar. O PT tinha 16 representantes na Assembleia e orientou a bancada a votar contra o texto final, aprovado em setembro de 1988. Na votação, 15 parlamentares do partido foram contrários à redação, enquanto um votou a favor.

A Constituição foi aprovada por ampla maioria: recebeu 474 votos favoráveis e 15 contrários, além de abstenções. A posição do PT refletia a avaliação de seus integrantes de que o documento não contemplava plenamente as reivindicações da legenda, sobretudo as relacionadas aos direitos dos trabalhadores. O partido defendia mudanças mais abrangentes e considerava que a versão aprovada ficara aquém de suas propostas.

Durante discurso na Constituinte, Lula anunciou que o PT votaria contra o texto, mas assinaria a Constituição no dia seguinte, conforme decisão do diretório da legenda. Apesar da oposição à redação final, os 16 deputados constituintes petistas assinaram o documento promulgado em 5 de outubro de 1988. A assinatura formalizou a participação dos parlamentares no processo, ainda que houvesse divergências sobre o conteúdo.

O episódio já foi associado a informações falsas em anos anteriores, com declarações políticas sugerindo que o PT não teria assinado a Constituição. Registros históricos e documentos da época mostram que a bancada assinou a Carta Magna, embora tenha votado contra sua versão final. Em 2013, num evento pelos 25 anos da Constituição, Lula disse que o partido defendia uma proposta mais radical, mas não conseguiu aprovar as mudanças que considerava necessárias com apenas 16 deputados.

No debate de sexta-feira (23), Flávio retomou o assunto para questionar posições históricas do PT em votações no Congresso. Lula respondeu que a legenda havia sido acusada injustamente de não assinar a Constituição e ressaltou sua participação na elaboração do documento. Na reta final da campanha presidencial de 2026, o registro do discurso de setembro de 1988 voltou a circular nas redes sociais e motivou novas checagens: nele, Lula comunica o voto contrário e também afirma que o PT assinaria o texto aprovado.