
Eleição presidencial no Brasil pode redefinir alianças regionais, políticas de segurança e proteção ambiental. (Foto: Instagram)
O segundo turno deste domingo (25/10) definirá mais do que o próximo presidente do Brasil: pode influenciar a geopolítica, a segurança e o meio ambiente de toda a América Latina, além do peso dos Estados Unidos na região. Especialistas destacam que a votação dos 158 milhões de brasileiros aptos a votar terá repercussões além das fronteiras nacionais.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, surpreendeu ao vencer o primeiro turno, em 4 de outubro, por uma margem de 1,9 ponto percentual sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos. Foi a menor vantagem em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização, e algumas pesquisas apontavam empate técnico. Flávio tenta chegar pela primeira vez à Presidência, cargo que foi ocupado por seu pai, Jair Bolsonaro; Lula busca seu quarto mandato.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Os projetos dos candidatos são distintos: Flávio defende liberalismo econômico, redução de impostos e rigor na segurança pública; Lula propõe ampliar a atuação do Estado, as políticas sociais e os direitos trabalhistas. Um dos principais efeitos regionais de uma vitória de Flávio seria reforçar a onda de direita: as sete eleições presidenciais realizadas na América Latina desde 2025 foram vencidas por candidatos desse campo. Por ser a maior população e a economia mais importante da região, o Brasil poderia dar impulso significativo a essa tendência.
Na segurança, Flávio propõe mobilizar militares contra grupos criminosos e criar prisões de segurança máxima inspiradas no Cecot, em El Salvador, apesar das denúncias de abusos no local. Também defende um ajuste fiscal com cortes de gastos equivalentes a 1,5% do PIB. Economistas questionam se a meta poderia ser atingida sem reduzir despesas sociais. Mônica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional, alertou que cortes em salário mínimo, aposentadorias e programas sociais poderiam provocar forte reação.
O resultado também pode afetar a proteção ambiental e a política comercial. Especialistas temem que, sob Flávio, o desmatamento da Amazônia aumente com a redução de controles e maior tolerância a atividades agropecuárias e mineradoras. No governo Lula, a destruição da floresta caiu neste ano ao menor nível em quase quatro décadas, segundo dados oficiais. Flávio também defendeu que o Brasil se afaste das limitações do Mercosul e busque acordos com países como os Estados Unidos.
Outro motivo é o alcance da política de Donald Trump. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, os Estados Unidos ameaçaram governos, interferiram em eleições, atacaram a Venezuela e bombardearam embarcações no Caribe e no Pacífico, em ações justificadas como parte do combate às drogas. Lula rejeitou a influência externa e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Flávio, por sua vez, manifestou interesse em integrar o Escudo das Américas, aliança liderada por Washington. Uma vitória sua poderia favorecer a presença americana e os interesses dos Estados Unidos em setores estratégicos. Para Lula, que indicou ser esta sua última eleição, a disputa também pode definir o encerramento de uma longa trajetória política.








