
Lula e Flávio Bolsonaro encerraram o último debate de 2026 sem vantagem evidente para nenhum dos candidatos. (Foto: Instagram)
O último debate das eleições de 2026, realizado na Globo, foi mais contido que o confronto da Band. Apesar do formato engessado, houve menos provocações pessoais, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) puderam apresentar propostas e críticas. O encontro terminou sem vantagem evidente para qualquer um dos candidatos.
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A principal diferença entre os dois esteve na estratégia. Presidente por três mandatos, Lula defendeu um quarto período no poder com base nas realizações de seus governos. Flávio, associado ao desejo de mudança, buscou falar do futuro e se distanciar do passado. Sobre decisões anteriores, o senador chegou a pedir desculpas em duas ocasiões.
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Um dos momentos mais tensos ocorreu durante uma discussão sobre corrupção. Flávio fez uma referência aos nove dedos de Lula, lembrando a amputação do dedo mínimo da mão esquerda do presidente em um acidente de trabalho. Lula respondeu mencionando sua deficiência física e ressaltando sua trajetória como trabalhador. A provocação parecia buscar tirar o adversário do eixo.
Em seguida, Flávio pediu desculpas e questionou quantas vezes Lula estaria disposto a fazer o mesmo por erros de sua gestão. O presidente não se desculpou. O senador também reconheceu que errou ao votar, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade das funcionárias públicas do Rio de Janeiro, e disse que hoje votaria de outra forma.
Flávio cobrou ainda uma explicação sobre o voto do PT contra a Constituição de 1988, que criou o SUS. Lula respondeu genericamente que o partido votou contra por esperar mais, mas não pediu desculpas pela posição histórica. O senador mencionou ao menos cinco governadores — de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Pernambuco e Paraná — para defender uma divisão de poder. Lula citou uma parceria federal com governadores de todos os partidos em obras de infraestrutura, sem mencionar nomes. Flávio teve três pedidos de direito de resposta concedidos; Lula, um.
O presidente também teve dificuldades com o tempo e a dinâmica do debate. Em uma ocasião, deixou passar um minuto e seis segundos; em outras quatro, o mediador César Tralli avisou que ainda havia tempo. Flávio protestou, sem resultado. Lula consultou repetidamente o Google ao falar de dados e políticas públicas, abrindo espaço para questionamentos do adversário sobre seu conhecimento do país.
Lula mencionou a presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, na plateia e perguntou a Flávio sobre sua atuação na defesa do policial militar acusado de matar a menina de cinco anos, em 2021, com um tiro de fuzil. O senador confundiu Cristiane com a filha e evitou olhar para a mãe, em seu principal deslize da noite.
O debate terminou sem mudança clara na estratégia dos candidatos: Lula se apoiou na experiência e no legado, enquanto Flávio combinou críticas ao presidente, referências a aliados estaduais e promessas para o futuro. No quarto e último bloco, cada um teve oito minutos para tratar livremente dos temas; foi quando trocaram farpas e deixaram as propostas de lado. Na reta final da campanha, o confronto evidenciou o desafio de defender o que foi feito ou convencer sobre o que ainda pode ser realizado.








