
Motorista abastece veículo com diesel em posto; especialistas alertam para possível desabastecimento no Brasil. (Foto: Instagram)
O programa Infra em 1 Minuto, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), apresenta o 181º episódio com o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, que adverte para a possibilidade de falta de diesel no Brasil. Ele destaca que a escassez global da commodity, aliada à discrepância entre o preço interno praticado pela Petrobras e o custo de importação, pode desestimular fornecedores a trazer o combustível para o país.
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No mercado internacional, o cenário é de oferta restrita. Nos Estados Unidos, os estoques de diesel totalizavam 107,9 milhões de barris em 11 de setembro, o nível mais baixo para o período desde o início da série histórica, em 1982. A EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA) projeta que esses estoques continuem abaixo da mínima dos últimos cinco anos até o fim de 2026 e durante grande parte de 2027.
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A restrição de oferta tem origem em fatores como a diminuição dos derivados exportados pelo Oriente Médio, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, e as limitações impostas pela Rússia após ataques a suas refinarias. Segundo Rodrigues, os preços elevados funcionam como um alerta para ampliar a produção e direcionar o diesel aos mercados mais necessitados.
No Brasil, porém, o mecanismo de sinalização de preços não opera da mesma forma. A Petrobras mantém o valor do litro de diesel A abaixo da paridade de importação, o que reduz o incentivo econômico para que empresas privadas importem o combustível em um momento de forte aperto global.
Embora o país produza a maior parte do diesel que consome, cerca de 25% ainda depende de importação. Em 24 de setembro, o preço do diesel A comercializado em Paulínia (SP) era de R$ 3,33 por litro, enquanto a paridade de importação estimada pela Abicom chegava a R$ 6,65 por litro, atingindo até R$ 7 em alguns dias de setembro. Essa diferença substancial faz com que importadores privados adiem compras, elevando o risco de desabastecimento.
Para equilibrar o mercado doméstico, o governo federal adotou subvenções que somam R$ 2,12 por litro de diesel até 26 de setembro, resultado de dois programas distintos. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, indicou a intenção de manter o benefício por mais 30 dias. No total, as medidas de contenção de preços devem alcançar R$ 37,5 bilhões em 2026.
Rodrigues ressalta que a função do preço é informar a escassez e mobilizar oferta, e que o subsídio, ao ocultar esse sinal em um momento de crise global, não reduz verdadeiramente o custo para o consumidor. “Preço não é vilão. É informação. E quem desliga a informação no meio de uma crise mundial não ganha desconto. Ganha fila no posto”, concluiu.








