Lula afirma na ONU que resistirá a pressões para privatizar o Pix

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Lula defende caráter público do Pix em discurso na ONU (Foto: Instagram)

Em discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, em 22 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil não cederá às pressões de multinacionais que buscam transferir o controle do Pix ao setor privado. Segundo ele, o sistema é uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que ampliou a inclusão financeira no país, beneficiando milhões de brasileiros.

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O chefe do Executivo inseriu a defesa do Pix em um trecho dedicado à transformação tecnológica e à necessidade de regulamentar as grandes empresas de tecnologia. Para o presidente, a ausência de normas para as big techs e para a inteligência artificial representa uma “omissão histórica” que precisa ser corrigida com urgência no cenário global.

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Lula apontou que algumas empresas de tecnologia promovem uma “corrida sem freios éticos”, operando sem diálogo com a ONU e ignorando recomendações de painéis científicos sobre inteligência artificial. Ele ressaltou a urgência de estabelecer padrões internacionais que evitem vieses algorítmicos e prejuízos sociais, de modo a impedir que as famílias assumam sozinhas o ônus das falhas desses sistemas.

Na sequência, o presidente criticou o crescimento da indústria de apostas esportivas e jogos on-line, observando que o modelo de negócio lucra com o vício e agrava dívidas de milhares de brasileiros. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, afirmou, destacando a aprovação de legislação considerada avançada para punir abusos, proteger crianças, adolescentes e mulheres e assegurar a remuneração justa de artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual.

Além do Pix e da regulamentação das big techs, Lula abordou diversos temas em sua fala: autoelogio ao percurso como operário e líder político; crítica ao enfraquecimento do multilateralismo e ao uso de tarifas como instrumento de coerção; proposta de reforma da ONU e do Conselho de Segurança, incluindo o fim do privilégio do veto; defesa da soberania brasileira e de não interferência; denúncia de genocídio em Gaza e apoio à solução de dois Estados; apelo por diplomacia para encerrar a guerra na Ucrânia e pela redução de tensões no Estreito de Ormuz; elogio à operação contra o crime organizado de 2025; alerta contra ameaças à democracia nas eleições de outubro; compromisso com a agenda ambiental global e a redução do desmatamento na Amazônia; combate à fome; defesa de Cuba contra o embargo; e ênfase na cooperação internacional com América Latina, África e Ásia.

Essa foi a décima vez que Lula abriu o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU como presidente, desde 2003. A comitiva brasileira incluiu a primeira-dama Janja Lula da Silva, assessores como Audo Faleiro, o embaixador Sérgio Danese e os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), entre outros. A agenda de 20 a 22 de setembro também contemplou reuniões bilaterais com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani; o senador Bernie Sanders; e o secretário-geral António Guterres, além de debates sobre a situação da Palestina, solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz, direito internacional humanitário, ZOPACAS e atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.