
A economia do Brasil registrou resultados abaixo das estimativas oficiais em 67,5% dos Orçamentos dos últimos dez anos, entre 2017 e 2026. O levantamento analisou as previsões do Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) para o PIB, a inflação, o câmbio e a taxa Selic.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
O Ploa, encaminhado ao Congresso até 31 de agosto de cada ano, define os parâmetros macroeconômicos que orientam a elaboração do Orçamento. Essas projeções servem de base para cálculo de receitas, despesas e metas fiscais.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Em oito dos dez anos, a taxa de câmbio média superou o previsto pelo governo. A inflação, medida pelo IPCA, ficou acima das projeções em sete exercícios. A Selic média excedeu o estimado em seis ocasiões, mesmo percentual de anos em que o PIB cresceu menos do que o esperado pelas autoridades.
Em 32,5% das situações, porém, o desempenho econômico superou as expectativas do Orçamento. Esses indicadores influenciam diretamente o comportamento das receitas públicas e a execução de políticas fiscais. Um crescimento mais fraco reduz a arrecadação, enquanto uma Selic maior eleva os gastos com juros pela União.
Para o economista José Roberto Afonso, do IDP, o governo costumava projetar cenários mais otimistas de inflação e crescimento para minimizar críticas do mercado e limitar intervenções parlamentares no Orçamento. “Estimativas conservadoras de arrecadação também davam espaço ao Executivo para realocar recursos durante o ano”, afirma.
Com o fortalecimento das assessorias legislativas e a adoção de emendas obrigatórias, essa prática perdeu força, reduzindo a margem de manobra do governo. Segundo Afonso, é importante comparar os equívocos do Executivo com os do setor privado, já que muitas vezes as projeções do mercado, como o Boletim Focus, coincidem com as metas oficiais.
Para 2027, as hipóteses do Ploa divergem das do mercado financeiro: o Focus prevê expansão menor do PIB e inflação acima dos números orçamentários. O economista-chefe da XP, Caio Megale, considera adequados os parâmetros do governo, mas alerta para um risco de crescimento abaixo dos 2,4% estimados. “Se a atividade ficar em 1%, como indica a XP, a arrecadação pode cair e ampliar o déficit público”, destaca.
Megale lembra que o setor privado também erra em suas previsões. No Focus de agosto de 2024, as expectativas para o fim de 2025 eram PIB de 1,85%, IPCA em 3,92%, dólar a R$ 5,30 e Selic a 10,00%. O Ploa de 2025 projetou PIB de 2,60%, IPCA de 3,30%, câmbio médio de R$ 5,19 e Selic média de 9,61%. Ao final de 2025, os números ficaram em PIB de 2,30%, IPCA de 4,25%, dólar a R$ 5,48 e Selic a 15,00%.








