
Balança fiscal desigual: candidatos à Presidência ficam longe de estabilizar a dívida (Foto: Instagram)
Uma análise do think tank Ranking dos Políticos concluiu que nenhum dos planos dos seis candidatos mais bem posicionados para a Presidência estabiliza a dívida pública. Foram examinadas 1.297 propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) diante do cenário-base da Instituição Fiscal Independente (IFI) de junho de 2026 e das duas regras fiscais vigentes.
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A IFI estima que é preciso um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta, mas projeta um déficit de 0,4% do PIB em 2026. Já antes de incorporar qualquer nova promessa eleitoral, falta um esforço de 2,5 pontos percentuais do PIB, cerca de R$ 342 bilhões por ano. Quando se somam as medidas planejadas pelos candidatos, o déficit fiscal se afasta da meta entre 2,9% e 3,6% do PIB, com média anual de cerca de R$ 437 bilhões, ou 3,2% do PIB.
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Romeu Zema lidera o ranking com distância de R$ 392 bilhões, ou 2,9% do PIB. Logo atrás vêm Augusto Cury (R$ 393 bilhões; 2,9%), Ronaldo Caiado (R$ 411 bilhões; 3,0%), Lula (R$ 452 bilhões; 3,3%), Renan Santos (R$ 478 bilhões; 3,5%) e Flávio Bolsonaro (R$ 496 bilhões; 3,6%). A diferença de apenas R$ 1 bilhão entre Zema e Cury é considerada empate, dentro da margem de erro metodológica.
O plano de Zema indica potencial de autofinanciamento das medidas, mas depende muito de uma reforma previdenciária cujos efeitos são esperados apenas depois do mandato. Ele propõe substituir o atual arcabouço fiscal, mas não detalha uma nova regra de gastos, o que torna suas premissas mais frágeis, apesar do desempenho favorável em comparação aos demais.
Augusto Cury aparece praticamente empatado com Zema e é o único, além dele, a estabelecer uma meta fiscal própria. No entanto, o objetivo de déficit primário próximo de zero, isoladamente, não basta para estabilizar a dívida, e apenas 33% das suas propostas puderam ser quantificadas, limitando a avaliação.
Ronaldo Caiado tem o plano mais explícito quanto ao impacto fiscal de cada medida — estimações de custo, fonte de financiamento e compatibilidade com a trajetória da dívida. Mas sua regra fiscal é mais frouxa que a vigente, sem indicar cortes concretos para bancar as propostas.
O programa de Lula ficou em quarto lugar, com impacto de R$ 452 bilhões (3,3% do PIB). Muitas medidas ampliam ou mantêm despesas públicas, deslocando custos para fora do cálculo primário. Apenas 29% das propostas foram classificadas, o que reduz o escopo do cálculo.
Renan Santos apresentou a maior proporção de propostas classificáveis (52%), mas ainda figura em quinto lugar (R$ 478 bilhões; 3,5%). Flávio Bolsonaro ficou em último, com R$ 496 bilhões (3,6%) e só 32% de suas medidas mensuráveis.
O estudo destaca que só 36,9% das 1.297 propostas puderam ser convertidas em valores; 63,1% não se aplicam por falta de dados. Esses resultados são limites inferiores de impacto fiscal. Em simulação que atribui densidade fiscal similar às medidas não mensuradas, o afastamento sobe para 3,5% do PIB no caso de Zema e 6% no de Flávio. Para Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, o exame mostra a necessidade de debate sobre o custo real das escolhas eleitorais. Daniel Galvêas, responsável pelo estudo, lembra que o primeiro colocado não tem plano plenamente viável, mas apresenta a menor distância ao equilíbrio fiscal.








