
Prédio abandonado da mini usina de leite em Ponta Porã após saque silencioso (Foto: Instagram)
O laticínio da Mini Usina de Leite e Derivados, localizado em Ponta Porã, foi alvo de um saque silencioso que resultou em um prejuízo superior a R$ 2 milhões para o município. Instalado em terreno público ao longo da rodovia MS-164, o complexo ocupa 10,2 mil metros quadrados e estava confiado à Associação dos Pequenos Produtores e Revendedores de Leite e Derivados. Em funcionamento desde 2007, sua estrutura chegou a ter grande potencial antes de entrar em declínio.
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Idealizada entre 2004 e 2007, a mini usina tinha como objetivo estimular a produção leiteira local e coibir o comércio informal de derivados. O investimento, aproximado em R$ 2 milhões, incluiu a compra de equipamentos modernos e a construção de instalações destinadas ao processamento e armazenagem de leite e queijo. Com o passar dos anos, no entanto, o prédio foi abandonado e acabou se deteriorando, sem qualquer fiscalização que impedisse o desgaste de sua infraestrutura.
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Em 2021, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) iniciou um inquérito para apurar as circunstâncias do saque, mas optou pelo arquivamento por ausência de indícios que permitissem identificar responsáveis. Durante a inspeção, os técnicos constataram o desaparecimento de toda a maquinaria: um pasteurizador com capacidade para 1,5 mil litros, além de tanques de recepção de mil litros e de fabricação de queijo avaliados em R$ 286.911,16, foram subtraídos. De acordo com o laudo, também foram levados telhas, portas, janelas e fiação elétrica.
Logo após o furto, o terreno passou a ser ocupado de forma irregular e transformou-se em um ponto de descarte de entulho e lixo. O MPMS avaliou o solo em R$ 1.688.580,00 e as benfeitorias em R$ 69.573,32, cifrando o prejuízo total em aproximadamente R$ 2.045.064,48. A soma desses valores evidencia o impacto financeiro causado ao erário municipal, que segue sem perspectiva de recuperação dos ativos.
Preocupada com o caso, a Prefeitura de Ponta Porã instaurou uma sindicância interna para tentar identificar os autores do vandalismo e do furto, porém a apuração foi encerrada sem apontar culpados. A principal dificuldade da comissão investigativa foi a ausência de registros precisos sobre o funcionamento da usina após a entrega à associação, dificultando a determinação de responsabilidades e prazos dos delitos.
Na esfera civil, o município informou ao MPMS não ter localizado o processo que formalizava o comodato dos equipamentos, o que inviabilizou a determinação de quem deveria responder pelos bens. Além disso, embora a gestão tenha colaborado entregando documentos e participando de depoimentos, não foi possível esclarecer quem sucateou e esvaziou a mini usina, deixando para trás apenas muros descascados e um maquinário que desapareceu sem vestígios.








