El Niño vai provocar interrupções mais longas este ano, diz diretor da Abradee

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Placa da obra “El Niño”, de Ubbo Enninga, em bronze (1997). (Foto: Instagram)

A população brasileira deve se preparar para desligamentos mais prolongados da rede elétrica ao longo deste ano por conta do fenômeno climático El Niño, avaliou o diretor de Regulação da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Ricardo Brandão. Essa previsão vale tanto para redes aéreas quanto subterrâneas e reflete o risco crescente de interrupções diante das condições meteorológicas adversas observadas globalmente.
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A expectativa da Abradee é de que os impactos do El Niño – responsável por aquecer as águas do Oceano Pacífico e alterar padrões de chuva, ventos e temperatura – comecem a se intensificar em outubro. A antecipação desse comportamento climático permite às distribuidoras programarem reforços em suportes e respostas mais rápidas a ocorrências.
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Segundo Brandão, pouco mais de 99% da malha elétrica brasileira é aérea e, por isso, extremamente suscetível a ventos fortes, chuva intensa e descargas atmosféricas. “Temos um grande desafio para tornar nossa rede mais resiliente”, afirmou o dirigente durante workshop voltado a jornalistas, destacando a necessidade de reforço de cabos, isoladores e melhor gerenciamento de vegetação próxima.

O diretor também chamou a atenção para o impacto econômico do fenômeno, que pode representar uma queda de até 12% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul até 2050. Ele citou o Rio Grande do Sul, onde dois ciclones em 2023 já trouxeram danos significativos, mas nada comparável a 2024, quando regiões ficaram até 31 dias submersas após fortes chuvas.

Brandão destacou ainda que, em Porto Alegre, embora a rede seja majoritariamente subterrânea, falhas no escoamento de água deixaram equipamentos alagados e ocasionaram interrupções prolongadas. Essa situação ilustra que, mesmo sistemas menos expostos a ventos e descargas, não estão imunes aos extremos de precipitação.

As diferenças regionais também são marcantes: Norte e Nordeste devem enfrentar seca intensa, prejudicando a geração hidrelétrica e o transporte de combustíveis por barcaças. O acúmulo de fumaça das queimadas pode levar a desligamentos preventivos em redes próximas, forçando as distribuidoras a recorrerem a estoques de diesel.

Já o Sul e Sudeste sentirão com mais força os efeitos de enchentes e ventos fortes, com eventos recentes no Paraná e no Rio de Janeiro pegando as equipes de surpresa. Nos últimos dez anos, os desastres climáticos no Brasil mais que dobraram, impulsionando um plano de investimentos de R$ 260 bilhões pelas distribuidoras entre 2026 e 2030, sendo cerca de 40% voltados à modernização e ao fortalecimento da rede elétrica.

Por fim, Brandão ressaltou que, embora a arborização urbana seja desejável, as espécies nativas e exóticas de grande porte, que podem atingir de 25 a 30 metros no Brasil, devem ser substituídas por árvores menores. “Quando galhos ou troncos altos caem, provocam estragos enormes e retardam o religamento das linhas de energia”, explicou, defendendo o manejo para reduzir prejuízos e o tempo de restabelecimento do serviço.