
Projeção do IPCA 2026 fica em 5,02%, acima do teto da meta (Foto: Instagram)
A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, calculada pelo Banco Central a partir das estimativas do mercado financeiro, permaneceu em 5,02%. Esse patamar ultrapassa em 0,52 ponto percentual o teto de 4,50% estipulado pela meta de inflação oficial do BC. Apesar da estabilidade recente, o número ainda reflete preocupação dos analistas quanto à trajetória dos preços nos próximos dois anos.
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O Relatório Focus, que consolida semanalmente os prognósticos de mais de 100 instituições financeiras, apontou que a mediana do IPCA de 2026 estacionou em 5,02% após seis semanas consecutivas de queda gradual. Em comparação a um mês atrás, quando estava em 5,15%, houve diminuição de 0,13 ponto percentual. Mesmo assim, o indicador segue acima do intervalo de tolerância estabelecido pelo Comitê de Política Monetária.
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Observando apenas as 69 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis — consideradas mais ágeis às novidades macroeconômicas — a mediana para 2026 subiu de 4,99% para 5,04%. Esse ajuste para cima revela que recentes dados econômicos e mensagens do BC podem ter levado os agentes a elevar suas expectativas de inflação para aquele horizonte.
No caso do IPCA projetado para 2027, o mercado elevou a estimativa mediana de 4,22% para 4,24%. Um mês antes, o mesmo indicador estava em 4,20%. Ao restringir a amostra às 69 estimativas mais recentes, a previsão passou de 4,22% para 4,21%, sinalizando leve acomodação frente à atuação da política monetária e ao cenário econômico.
Para o ano de 2028, o Focus manteve a mediana da inflação em 3,80%, praticamente estável ante os 3,78% registrados há 30 dias. Já para 2029, a estimativa de 3,50% ficou inalterada pela 50ª semana de forma consecutiva, indicando consistência nas projeções de longo prazo sobre o controle dos preços dentro do regime de metas.
No início de agosto, o Copom revisou as projeções internas do BC, reduzindo o IPCA de 2026 de 5,2% para 5,1% e elevando o de 2027 de 3,7% para 3,8%, conforme consta no comunicado da reunião do colegiado. O comitê também manteve em 3,2% a expectativa para a inflação acumulada em 12 meses no primeiro trimestre de 2028, definido como o horizonte relevante da política monetária nesta rodada de deliberações.
A partir de 2025, o sistema de metas passou a ser contínuo, baseado no IPCA acumulado em 12 meses, com centro de 3% e tolerância de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso o indicador permaneça fora dessa faixa por seis meses seguidos, considera-se que o BC não atingiu o alvo de inflação, o que reforça o monitoramento rigoroso das expectativas pelos analistas.
A persistência dessas projeções acima do teto da meta no curto prazo, juntamente com a estabilidade das estimativas de longo prazo, sugere que o regime de metas de inflação continua em vigor, mas ressalta que o Copom manterá a vigilância sobre os dados mensais de preços e poderá ajustar sua estratégia se a trajetória medida pelo IPCA não mostrar desaceleração consistente.








