Nesta semana, uma reportagem do programa Fantástico revelou detalhes da caixa-preta do avião da Voepass que caiu em 2024 e matou 62 pessoas. O material, obtido com exclusividade pela equipe do programa, faz parte do laudo da Polícia Federal (PF) e reúne informações sobre os últimos momentos da aeronave antes da queda em Vinhedo, no interior de São Paulo.
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Segundo a investigação, os registros da cabine indicam que a tripulação já havia enfrentado problemas relacionados ao sistema de degelo da aeronave em voos anteriores ao acidente. A PF apontou que falhas no equipamento teriam sido recorrentes e que alertas semelhantes já haviam aparecido antes da tragédia. No voo que antecedeu o acidente, entre Guarulhos (SP) e Cascavel (PR), os pilotos chegaram a comentar sobre o acúmulo de gelo na aeronave. Após a situação aparentemente melhorar, o comandante teria dito ao copiloto: “Chegamos vivos”, segundo os diálogos analisados pelos investigadores.
Pouco tempo depois, a mesma aeronave decolou novamente para o voo que terminaria em tragédia. Durante a subida, a tripulação recebeu um alerta identificado como “AIRFRAME FAULT”, relacionado, segundo a PF, a uma falha no sistema pneumático de degelo. Ao longo do voo, os pilotos teriam identificado novamente a presença de gelo e tentado acionar o sistema. Em um dos momentos registrados pela caixa-preta, o comandante teria afirmado: “Essa bosta não tá funcionando, né?”, em referência ao equipamento.
De acordo com o laudo, após uma sequência de alertas, a aeronave perdeu sustentação e entrou em estol, situação em que o avião deixa de gerar força suficiente para permanecer em voo. Pouco antes da queda, o sistema de alerta de proximidade do solo chegou a emitir o comando “Pull Up”, indicando risco de colisão com o terreno.
A análise dos computadores de bordo mostrou ainda que o alerta “AIRFRAME FAULT” havia sido registrado no voo do acidente e em outras três viagens anteriores. Segundo a PF, em ocasiões anteriores, as tripulações tentaram reiniciar o sistema de degelo, mas as falhas voltaram a ocorrer.
Para os investigadores, os registros indicam que havia conhecimento prévio sobre possíveis problemas no equipamento. O relatório aponta que, caso as falhas tivessem sido formalmente registradas, a aeronave poderia não ter sido liberada para operar em determinadas condições, conforme as regras da aviação.
Além das falhas relacionadas ao sistema de degelo, a PF também citou um possível desvio envolvendo a liberação da aeronave com problemas no limpador de para-brisa, apesar da previsão de chuva no destino. A Polícia Federal e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduzem investigações com objetivos diferentes. Enquanto o Cenipa busca identificar fatores que possam evitar novos acidentes, a PF apura possíveis responsabilidades criminais.
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O relatório final da PF aponta que a tragédia teria sido resultado de uma combinação de fatores, incluindo falhas recorrentes no sistema de degelo, condições de gelo severo e possíveis falhas no cumprimento de procedimentos previstos pelo fabricante. A conclusão do inquérito deve indicar os próximos passos da investigação.
















