
Deolane Bezerra estampando sorrisos em evento recente. (Foto: Instagram)
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra voltou ao centro de uma apuração do Ministério Público de São Paulo por uma suposta conexão financeira com parentes de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção criminosa PCC. A investigação sugere que a influenciadora teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao alto escalão do grupo.
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Segundo o Inquérito Policial nº 63/2022, conduzido pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau, Deolane Bezerra integraria uma estrutura voltada a ocultar recursos ilícitos em benefício de familiares de Marcola. A operação, deflagrada em 21 de maio de 2026, levou à prisão de Deolane e de outras pessoas envolvidas no suposto esquema.
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O relatório policial relaciona a influenciadora com Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, além de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, todos membros do núcleo familiar do chefão do PCC. Segundo a investigação, o esquema fazia uso de empresas de fachada, contas bancárias fracionadas e movimentações complexas para dificultar o rastreamento dos valores.
Uma transportadora de cargas registrada em Presidente Venceslau teria servido como fachada para a lavagem de capitais. Conforme o inquérito, os recursos eram distribuídos em diversas contas até alcançar os destinatários finais, e duas contas identificadas como pertencentes a Deolane Bezerra receberam atenção especial dos investigadores.
Entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, que evita disparos de alertas automáticos no sistema bancário. A apuração aponta o operador financeiro Everton de Souza, apelidado de “Player”, como responsável por indicar contas para os chamados “fechamentos” da organização. Além disso, quase 50 depósitos somando cerca de R$ 716 mil foram feitos para empresas ligadas à influenciadora por meio de uma instituição de crédito considerada suspeita pelos policiais.
As diligências tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau que mencionavam ordens internas da facção e faziam referência a uma “mulher da transportadora”. Desse material, os agentes chegaram à Lopes Lemos Transportes e, posteriormente, ao celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador da organização, o que ampliou as evidências sobre a relação financeira com Deolane Bezerra.
Em razão das provas levantadas, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores atribuídos à influenciadora. A defesa de Deolane Bezerra nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas e afirma que todas as movimentações possuem justificativa lícita. O inquérito segue em andamento, e os suspeitos deverão responder às acusações em juízo.







