
TJ-SP analisa habeas corpus de Deolane Bezerra, suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC (Foto: Instagram)
O Tribunal de Justiça de São Paulo deve julgar na manhã desta sexta-feira (22), às 9h, o pedido de habeas corpus apresentado pela advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Ela se encontra em prisão preventiva desde quinta-feira (21) em decorrência da Operação Vérnix, acusada de atuar como operadora financeira da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações apontam indícios de ocultação e dissimulação de recursos de origem ilícita, por meio de depósitos fracionados, e resultaram no bloqueio de R$ 27 milhões em bens da ré.
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A medida cautelar foi determinada após a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo apontarem ligações entre as contas bancárias de Pessoa Física e Pessoa Jurídica vinculadas a Deolane e uma suposta rede de lavagem de dinheiro. A influenciadora foi detida em sua residência — um condomínio de alto padrão em Alphaville, Barueri — pouco depois de retornar de uma viagem a Roma, na Itália.
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Conforme o relatório de inteligência financeira, a advogada teria submetido valores em espécie, de origem duvidosa, a depósitos em contas próprias misturados a recursos das suas atividades empresariais. Essa fase do processo de lavagem de dinheiro, conhecida como “dissolução”, consistiria na ocultação da verdadeira procedência dos valores antes de remetê-los à organização criminosa.
A quebra dos sigilos bancário e fiscal mostrou que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 por meio de depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil — prática conhecida no mundo financeiro como smurfing, que visa driblar sistemas de alerta automático. Além disso, foram identificados 50 depósitos que somam R$ 716 mil vindos de uma empresa de crédito fictícia. Em razão dessas evidências, a Justiça também determinou a apreensão de veículos de luxo da influenciadora.
A Operação Vérnix não se limitou à prisão de Deolane Bezerra. Mandados de busca e prisão foram cumpridos contra o chefe máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, e contra familiares próximos, incluindo a sobrinha dele, Paloma Sanches Herbas Camacho, localizada em Madri, Espanha. Essa fase da investigação reforça o caráter estrutural da rede de lavagem de capitais atribuída à facção.
Em nota oficial, a defesa de Deolane, conduzida pelo advogado Luiz Imparato, garantiu que todas as operações financeiras serão esclarecidas no tribunal e destacou a inocência de sua cliente. O advogado adiantou que apresentará prova documental e testemunhal para demonstrar a licitude das transações contestadas.







