Reação dos aliados de Lula à possível nova indicação de Jorge Messias ao STF

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Presidente Lula cumprimenta Jorge Messias no Planalto após rejeição no Senado (Foto: Instagram)

A eventual insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em reconduzir Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a recusa inédita do Senado, provocou divisão entre os apoiadores do Planalto. Uma ala do PT defende enfrentar diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para reafirmar a autoridade presidencial. Já o grupo mais cauteloso teme outro revés político e aposta em adiar a decisão para um momento mais favorável.
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De acordo com o regimento interno do Senado, um nome rejeitado não pode ser reapresentado na mesma sessão legislativa, ou seja, ainda em 2026. Isso dá a Alcolumbre a prerrogativa de vetar rapidamente qualquer nova indicação. Ainda assim, parte do lulismo sustenta que insistir em Messias demonstra que o Palácio do Planalto não abrirá mão de sua competência constitucional para nomear ministros ao STF.
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Entre os defensores do embate estão o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho. Eles argumentam que a repercussão positiva em torno de Messias durante a posse no Tribunal Superior Eleitoral comprova o apoio da sociedade ao jurista. Para esse grupo, transformar a derrota em narrativa política fortalece a posição do Executivo.

No campo mais pragmático, senadores como Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) buscam pacificar relações com Alcolumbre. Nos bastidores, ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Luiz Marinho, do Trabalho, além do ex-ministro José Dirceu, sugerem aguardar outro cenário antes de apresentar nova indicação. Há quem defenda, inclusive, a escolha de uma mulher negra, estrategia vista como capaz de gerar dividendos políticos mesmo em caso de rejeição.

A derrubada de Jorge Messias foi considerada uma das maiores derrotas de Lula no Congresso em seu terceiro mandato. A articulação de Davi Alcolumbre teria contado com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ministro Alexandre de Moraes, cada um por motivações distintas. O episódio remete ao último veto do Senado a uma indicação presidencial ao STF, registrado em 1894, no governo de Floriano Peixoto.

Aliados de Alcolumbre alertam que nova insistência em Messias pode ocasionar desgaste ainda maior ao Palácio do Planalto. “São os batedores de lata versus os sensatos. Se Lula insistir, Davi vai mostrar o que é fúria”, disse um interlocutor próximo ao presidente do Senado, conforme relatos obtidos nos bastidores.