
Fox News criticou a imprensa com frequência muito maior que CNN e MSNBC, aponta estudo (Foto: Instagram)
Em 2025, a confiança no jornalismo chegou ao menor patamar já registrado: apenas 8% dos republicanos disseram confiar na imprensa, ante 51% dos democratas, segundo o Gallup. Embora dados mais recentes indiquem uma leve recuperação entre republicanos, a confiança geral continua perto do mínimo histórico. Um estudo da Universidade Duke investigou se a frequência com que emissoras criticam outros veículos ou a imprensa em geral pode ajudar a explicar essa diferença.
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Pesquisadores do DeWitt Wallace Center for Media & Democracy analisaram 15 anos de programação da CNN, Fox News e MSNBC/MS NOW, de 2011 a 2025. A equipe reuniu 3.543 transcrições, com quase 19 milhões de palavras — cerca de 62.000 páginas —, selecionando uma amostra aleatória equivalente a uma semana de programação de cada ano.
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Para classificar as críticas, a equipe treinou o GPT-5.5, da OpenAI, com instruções detalhadas em um documento de 20 páginas. O modelo alcançou 99,5% de precisão na identificação dos episódios e não deixou passar nenhum caso nas amostras comparadas com classificações humanas. Os pesquisadores definiram desqualificação jornalística como uma declaração negativa sobre a conduta ou o conteúdo de um alvo identificado, como um veículo específico ou a imprensa em geral.
A Fox News teve episódios desse tipo a cada 14,5 minutos, muito acima da CNN, com uma ocorrência a cada 140 minutos, e da MSNBC, a cada 61 minutos. A disparidade persistiu ao longo dos 15 anos analisados. Na Fox, as críticas diminuíram nos períodos de dois anos anteriores às eleições de 2016 e 2024, mas voltaram a níveis próximos dos máximos em 2025. Os pesquisadores afirmam que ainda não sabem explicar esse padrão.
A partir de aproximadamente 2017, CNN e MSNBC se aproximaram nesse indicador: houve uma pequena queda na taxa da MSNBC e uma leve alta na da CNN. Segundo o estudo, isso acompanha pesquisas que apontam uma convergência entre a programação das emissoras. Os resultados também indicam que não é adequado tratar Fox News e MSNBC como polos equivalentes do jornalismo partidário: desqualificar a imprensa ocupa espaço muito maior na programação da Fox.
Os alvos das críticas reforçam essa diferença. Na Fox News, “a imprensa” foi o mais frequente, seguida pela CNN e pela “grande imprensa”; The New York Times, MSNBC e The Washington Post também apareceram entre os alvos recorrentes. Na CNN e na MSNBC, a Fox News foi o principal alvo, seguida por “a imprensa” e “a mídia de direita”. Entre os apresentadores que mais desqualificaram colegas, destacaram-se Sean Hannity, Greg Gutfeld e Tucker Carlson, todos da Fox News.
O estudo não avaliou a gravidade ou a legitimidade das críticas, nem se a exposição a elas reduz a confiança em emissoras específicas ou no jornalismo como instituição. Os pesquisadores pretendem investigar essas questões em trabalhos futuros. Eles observam, porém, que o padrão encontrado na Fox News se aproxima da ideia de “mídia antimídia”: usar a aparência do jornalismo para atacar os papéis atribuídos a ele em uma democracia.
