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Votos indecifráveis podem definir o próximo presidente


Flávio Bolsonaro recebeu 2,2 milhões de votos a mais que Lula no primeiro turno de 2026, a menor diferença entre os dois candidatos que avançaram ao segundo turno. (Foto: Instagram)

O Brasil vive uma das disputas presidenciais mais acirradas de sua história. No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 2,2 milhões de votos a mais que Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diferença de 1,87 ponto percentual — a menor já registrada entre os dois candidatos que avançaram ao segundo turno. A votação decisiva será no domingo, 25 de outubro.

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As pesquisas indicavam equilíbrio e, em muitos casos, empate técnico, com Lula numericamente à frente, mas dentro da margem de erro. Uma variação pequena poderia inverter a indicação de vencedor. O voto útil, comum na reta final do primeiro turno, também alterou o cenário: eleitores migraram de candidatos sem competitividade para os líderes, num movimento cuja escala só ficou clara na apuração.

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Em 10 de setembro, cerca de um mês antes da votação, os candidatos que não chegaram ao segundo turno somavam 19% das intenções de voto. Em 24 de setembro, eram 15%; na véspera, 10%; e, nas urnas, 7,8%. Parte expressiva desses votos contribuiu para o avanço de Flávio Bolsonaro. A antecipação da escolha, por eleitores que poderiam ter decidido apenas no segundo turno, ajudou a explicar a diferença entre pesquisas e resultado oficial.

Há também eleitores pouco engajados politicamente que participam menos do debate público e tendem a não responder às pesquisas. Esse viés de não resposta torna difícil medir a chamada “massa silenciosa”, que pode decidir uma disputa apertada. Alguns votantes escolhem seus candidatos apenas no último momento, assim como alguém que decide os números da Mega-Sena ao preencher o volante. Embora os indecisos declarados raramente ultrapassem 5%, o impacto dos que escolhem na última hora pode ser maior.

Nas três eleições mais recentes — 2018, 2022 e o primeiro turno de 2026 —, os resultados das urnas subestimaram, em relação à média das principais pesquisas, o desempenho do candidato de direita. O fenômeno também ocorreu nos Estados Unidos nas duas vitórias de Donald Trump. A hipótese é que eleitores pouco captados pelas pesquisas tenham favorecido Flávio Bolsonaro em 2026, mas essa explicação ainda não é uma certeza.

A abstenção é outro fator difícil de medir. Na pesquisa mais recente, divulgada em 22 de outubro, 10% disseram não ter votado no primeiro turno, e 1% afirmaram que não pretendiam comparecer no segundo; outros 1% estavam indecisos e 3% não tinham certeza se votariam. A abstenção efetiva na primeira etapa foi de 21,08%, índice que vem crescendo. Lula pediu que os ausentes retornem às urnas, mas reduzir a abstenção pode não bastar para mudar o resultado, segundo estudo do BTG Pactual.

No primeiro turno, a abstenção foi de 18,4% no Nordeste, a menor entre as regiões, e de 22,7% no Sudeste, onde Flávio venceu. Uma redução no Sudeste poderia beneficiar mais o candidato do PL; no Nordeste, a mobilização pode ser limitada pela falta de disputas para governador em vários Estados. No segundo turno, as pesquisas também podem usar os resultados da primeira votação para ajustar amostras e ponderações, o que ajuda a explicar por que seus resultados tendem a convergir mais.

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