
Planos de Lula e Flávio Bolsonaro para 2027 a 2030 convergem em saúde e educação, mas divergem em economia, segurança e papel do Estado. (Foto: Instagram)
Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência no segundo turno de 2026, convergem em saúde e educação, mas divergem sobre economia, contas públicas, trabalho, segurança e o papel do Estado. As propostas tratam de um eventual mandato entre 2027 e 2030. Lula apresentou seu plano ao Tribunal Superior Eleitoral em 7 de agosto; Flávio divulgou o dele em 13 de agosto.
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Lula defende manter o arcabouço fiscal, ampliar investimentos públicos e arrecadação, melhorar a eficiência dos gastos e preservar políticas sociais. Também propõe cobrar mais de contribuintes de alta renda, revisar benefícios fiscais ineficientes e tratar da isenção do Imposto de Renda e da tributação dos mais ricos. Flávio propõe uma nova regra fiscal, superávits primários, estabilização da dívida em relação ao PIB e cortes de despesas. Entre as medidas estão extinguir ao menos 10 ministérios, reduzir cargos comissionados, combater benefícios adicionais a servidores, dar continuidade à reforma administrativa e retomar privatizações. Ele defende reduzir tributos, rever pontos da reforma sobre o consumo, baixar o IVA e desonerar investimentos, exportações, energia e combustíveis.
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Economistas apontam lacunas nos dois planos sobre o ajuste fiscal: o de Lula não detalha como conter a dívida, e o de Flávio não estima a economia dos cortes nem projeta dívida e metas. Bruno Perri considera insuficiente o arcabouço; Alexandre Schwartsman chamou o orçamento de Lula de “frouxo” e disse que um ajuste duradouro exigiria enfrentar despesas obrigatórias. Perri observa que privatizações geram receitas não recorrentes, enquanto Augusto Parente vê potencial numa nova regra fiscal, desde que sua execução seja esclarecida. No trabalho, Lula defendeu o fim da escala 6 X 1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial. Flávio votou a favor da mudança após inicialmente criticá-la e afirmou que não a reverteria, embora defenda negociar jornadas e remuneração. Ele também propôs comprar dívidas bancárias e congelá-las por 6 meses para pessoas físicas e 12 para empresas.
Os dois candidatos querem reduzir filas no SUS. Lula aposta na ampliação da atenção básica e especializada e no Agora Tem Especialistas; Flávio propõe prontuário eletrônico único, agendamento por inteligência artificial, telessaúde e uso de horários ociosos da rede privada. Na educação, ambos apoiam o ensino integral. Lula também defende ampliar institutos federais e o Pé-de-Meia; Flávio destaca alfabetização pelo método fônico, escolas cívico-militares e ensino técnico. Lula prevê maior atuação e investimento público, enquanto Flávio quer ampliar a participação privada.
Na segurança, Lula propõe integrar União, Estados e municípios, investir em inteligência, câmeras corporais e policiamento de proximidade, aprovar a PEC da Segurança Pública e criar um ministério para a área. Flávio defende endurecer políticas criminal e penitenciária, dobrar investimentos federais, construir 5 presídios de segurança máxima e abrir 500 mil vagas prisionais em 4 anos. Também propõe reduzir a maioridade penal, ampliar o reconhecimento facial e classificar PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas. Lula defende a autonomia dos Poderes; Flávio quer limitar decisões monocráticas no STF, retirar competências criminais originárias da Corte e impor quarentena de 1 ano a ministros de Estado indicados.
Lula propõe ampliar o Bolsa Família, o combate à pobreza, a assistência social e a Política Nacional de Cuidados. Flávio associa programas à qualificação e ao emprego, com transição de até 2 anos para beneficiários que consigam trabalho formal ou abram negócio, mantendo o benefício e prevendo retorno automático se a renda própria não se sustentar. Para mulheres, Lula prioriza o combate ao feminicídio, as Casas da Mulher Brasileira e a autonomia econômica; Flávio propõe a Central da Mulher e a ferramenta digital ClarIA.
Na indústria, Lula quer aprofundar a Nova Indústria Brasil com financiamento público e incentivos a inteligência artificial, minerais críticos e descarbonização. Flávio prioriza capital privado, redução de custos, segurança jurídica, processamento de minerais no país e atração de data centers. No agronegócio, Lula propõe ampliar crédito rural, Plano Safra e seguro; Flávio destaca seguro, irrigação, armazenamento, logística e redução da dependência de fertilizantes importados. Lula pretende combater o desmatamento e ampliar restauração florestal e transição energética. Flávio estabelece zerar o desmatamento ilegal até 2029 e propõe fiscalização por satélites e inteligência artificial, mercado de carbono e pagamento por serviços ambientais.
Na política externa, Lula busca autonomia, diversificação de parceiros e mercados e menor dependência de grandes potências. Flávio propõe estreitar relações com os Estados Unidos, ampliar comércio e investimentos e negociar barreiras comerciais. Para a China, prevê manter laços comerciais, buscar investimentos e ampliar o acesso a mercados.
