
TSE determina que Meta e X enviem relatórios a cada seis horas sobre publicações de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal durante o 2º turno. (Foto: Instagram)
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, ordenou que a Meta encaminhe ao Tribunal Superior Eleitoral, a cada 6 horas, relatórios detalhados sobre o alcance e a distribuição de novas publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e de Pablo Marçal.
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A determinação foi tomada na noite de 23.out.2026 e vale durante sábado (24.out) e domingo (25.out), data do 2º turno das eleições. Os relatórios deverão discriminar as visualizações de seguidores e de não seguidores, as superfícies responsáveis por distribuir o conteúdo e os mecanismos de recomendação empregados pela plataforma.
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Cueva também determinou que a Meta siga sua regra geral e não recomende proativamente a usuários que não acompanham Nikolas e Marçal conteúdos político-eleitorais publicados por eles até o encerramento da votação de domingo. A ordem proíbe ainda intervenções manuais ou ajustes específicos nos algoritmos para ampliar artificialmente ou privilegiar os dois investigados. As medidas se estendem ao X, e o descumprimento pode resultar em multa de R$ 500 mil.
A decisão acolheu parcialmente uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) apresentada pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à Presidência contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A campanha alegou que o algoritmo da Meta favoreceu o perfil de Nikolas e ampliou o alcance de suas publicações.
Até o fim da eleição, Nikolas e Marçal também ficam impedidos de divulgar, diretamente ou por terceiros, conteúdos produzidos com inteligência artificial nas situações vedadas pela legislação eleitoral, materiais fabricados ou manipulados proibidos por lei e informações sabidamente falsas. O ministro afirmou que a medida é preventiva, voltada à proteção da normalidade e da legitimidade do processo eleitoral, e não configura censura prévia nem restrição à liberdade de expressão ou ao debate político-eleitoral.
Para cada investigado, a multa por publicação irregular foi fixada em R$ 100 mil, após verificação judicial. Cueva rejeitou, porém, o pedido da campanha de Lula para retirar os perfis de Nikolas e Marçal das recomendações a usuários que não os seguem. Também negou a solicitação para impedir antecipadamente a recomendação de um vídeo que Marçal anunciou para sábado (24.out). A decisão foi submetida ao plenário do TSE.
Um vídeo de Nikolas com depoimentos de nordestinos críticos a Lula passou de 160 milhões de visualizações no Instagram. O deputado tem 25 milhões de seguidores. A comparação com a conta oficial do Instagram chamou atenção: apesar de reunir 686 milhões de seguidores, apenas um vídeo publicado pelo perfil em outubro superou essa marca. À coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a Meta declarou que diferenças no número de visualizações não comprovam favorecimento.
