
Suspeito de ataque racista na região de Paris teria escolhido as vítimas pela cor da pele, segundo informações divulgadas pela imprensa francesa. (Foto: Instagram)
Um dia após o ataque racista na região de Paris que deixou um jovem de 26 anos morto e cinco pessoas feridas, vieram a público informações sobre o suspeito. Kévin T., de 39 anos, e sua mãe permaneciam detidos neste sábado (24), enquanto a Promotoria Nacional Antiterrorista conduzia as investigações. Segundo o jornal francês Le Monde, ele disse que queria se vingar de comerciantes saqueados durante manifestações em 17 de outubro e escolheu as vítimas pela cor da pele.
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Na manhã de sexta-feira (23), o homem atirou de dentro de um veículo contra moradores de Trappes e La Verrière, na região metropolitana de Paris. Pengo Bossio Wangi, atleta de MMA de 26 anos, morreu; outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas uma menina de 12 anos. O suspeito teria afirmado à polícia que queria atacar negros e árabes. Em seu apartamento, foram encontrados um exemplar de “Minha luta”, de Adolf Hitler, um Alcorão e uma Bíblia.
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As autoridades descreveram Kévin T. como violento; ele já tinha antecedentes, sobretudo por infrações de trânsito e consumo de drogas. Foi detido por cinco agentes em um município vizinho ao local dos disparos. Sua mãe, que teria procurado a polícia voluntariamente, também prestava esclarecimentos. Nascido em Saint-Cyr-l'Ecole e residente em Plaisir, localidades próximas ao ataque, ele trabalha no setor de hidrocarbonetos, segundo a France Télévisions.
No momento da prisão, o suspeito portava uma pistola do tipo Sten, e uma bomba de gás lacrimogêneo foi localizada no veículo. Durante a busca em sua casa, policiais encontraram um dispositivo explosivo formado por três botijões de gás e fios ligados a um cronômetro; equipes especializadas realizaram a desativação. Kévin T. também testou positivo para cocaína. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o episódio como um “périplo homicida”.
Em Trappes, o presidente Emmanuel Macron condenou a violência baseada em ideologia racista. Disse que as vítimas foram escolhidas pela cor da pele e pela religião que lhes era atribuída, e defendeu que a sociedade não ceda diante de ideias que possam justificar tais atos. O prefeito Ali Rabeh também chamou o episódio de atentado com conotação racista e lembrou que Pengo Bossio Wangi tinha origem africana. Uma pessoa ferida em estado gravíssimo é de origem magrebina. Já o prefeito de La Verrière, Nicolas Dainville, afirmou que dois funcionários da limpeza feridos tinham traços africanos.
A família de Wangi, por meio do advogado Yassine Bouzrou, cobra esclarecimentos sobre por que o suspeito não foi alvo de medidas preventivas, apesar de possuir armas e já ser conhecido pelas autoridades. Os parentes avaliam pedir a responsabilização administrativa de órgãos públicos e querem que a investigação detalhe o processo de radicalização de Kévin T. e as ideologias às quais ele teria sido exposto. Bouzrou também apontou a circulação, em espaços midiáticos e políticos, de teorias racistas como a da “grande substituição” e de discursos que estigmatizam pessoas por sua origem ou religião, inclusive durante a campanha para as eleições presidenciais francesas de 2027.
