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Setor elétrico terá de equilibrar demanda de energia da IA


No 185º episódio de “Infra em 1 Minuto”, Pedro Rodrigues analisa os desafios para o setor elétrico atender ao aumento da demanda de energia provocado pela expansão da inteligência artificial e dos data centers. (Foto: Instagram)

O 185º episódio do programa “Infra em 1 Minuto” será lançado neste sábado (24.out.2026), em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). O especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa os desafios para o setor elétrico atender ao aumento do consumo associado à expansão da inteligência artificial e dos data centers. O programa é publicado semanalmente no YouTube.

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Segundo dados da AIE (Agência Internacional de Energia) citados por Rodrigues, os investimentos globais em data centers foram estimados em US$ 550 bilhões, valor superior ao destinado mundialmente à produção de petróleo e gás. O consumo de eletricidade dessas instalações aumentou 17% e poderá dobrar em cinco anos. Mesmo com chips que elevam o desempenho por watt entre 30% e 40% ao ano, o consumo total continua crescendo.

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Rodrigues afirma que a expansão da inteligência artificial, impulsionada por essas infraestruturas, representa uma mudança duradoura na demanda por eletricidade. Para ele, não se trata de esperar que a tecnologia deixe de avançar, mas de definir como o setor elétrico responderá ao crescimento. “A inteligência artificial não vai voltar para a caixa”, declarou.

O especialista aponta como desafio conciliar o consumo dos data centers com a capacidade de fornecimento de energia. No Brasil, pedidos especulativos de geradores para conexão à rede podem resultar em investimentos inadequados na infraestrutura elétrica. Por isso, diz, é importante considerar não apenas o volume de energia consumido, mas também o local e o momento em que a demanda aparece.

Uma fila de conexão composta por projetos especulativos pode levar a decisões erradas de investimento, segundo Rodrigues. Ele observa ainda que um contrato de energia limpa, por si só, não assegura que haverá eletricidade disponível no ponto necessário e na hora certa. A expansão da rede precisa, portanto, acompanhar as características e a localização das novas cargas.

Rodrigues defende transparência sobre o porte e a localização dos projetos, prioridade para empreendimentos maduros e critérios adequados para repartir os custos de ampliação da rede. Na avaliação dele, as despesas necessárias para atender aos data centers não devem ser transferidas indiscriminadamente aos demais consumidores. “A conta não pode, mais uma vez, ser empurrada para a Dona Maria e Seu José, que não têm nada a ver com o projeto”, disse.

O Brasil, avalia o especialista, tem vantagem competitiva por contar com uma matriz elétrica predominantemente renovável. Mas a disponibilidade de energia limpa não basta para garantir o abastecimento contínuo dos data centers: também são necessárias transmissão e carga firme.

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