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Quem venceu o debate da Globo entre Lula e Flávio? Especialistas avaliam candidatos


Especialistas divergem sobre quem levou a melhor no debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo. (Foto: Instagram)

O desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no debate da TV Globo, realizado na noite de sexta-feira, 23, recebeu avaliações diferentes de especialistas. Parte deles considerou que o presidente teve vantagem, especialmente na etapa final e ao responder aos ataques. Outro analista avaliou que o senador foi melhor do que no primeiro confronto entre os dois, realizado pela Band.

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Os especialistas também apontaram estratégias distintas: Flávio aproximou temas econômicos do cotidiano dos eleitores, enquanto Lula explorou episódios para associar o adversário a um distanciamento do mundo do trabalho. Apesar das diferenças de avaliação, nenhum deles identificou uma mudança decisiva no cenário eleitoral.

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Mayra Goulart, cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considerou que Lula terminou o debate em vantagem, embora Flávio tenha se destacado ao explicar questões econômicas em linguagem simples. Paulo Ramirez, cientista político e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), também viu vantagem para o presidente, sobretudo no bloco final. Para ele, os dois primeiros foram equilibrados, mas a disputa se intensificou a partir do terceiro, quando Lula questionou o senador sobre sua trajetória e educação.

Érico Oyama, analista político da BMJ Consultores, teve avaliação diferente: considerou Flávio o melhor no confronto. Segundo ele, o senador deixou de lado a postura vista como arrogante no debate anterior e tentou demonstrar moderação, inclusive ao pedir desculpas por chamar Lula de “nove dedos”. Oyama ponderou, porém, que nenhum dos candidatos apresentou novidades capazes de atrair indecisos ou alterar significativamente a disputa; ambos dialogaram com seus eleitores.

A referência à perda de um dedo de Lula foi apontada por Mayra como um dos momentos centrais. O presidente lembrou que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda enquanto trabalhava como torneiro mecânico, ainda jovem. Para a professora, o episódio permitiu que Lula levasse o debate para as relações de classe e o mundo do trabalho, contrapondo sua experiência à do senador. Tatiana Vargas-Maia, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), observou que Flávio começou mais cauteloso, possivelmente após a repercussão do encontro anterior, mas voltou a adotar um tom agressivo.

Na economia, Mayra avaliou que Flávio traduziu melhor questões como preços, endividamento das famílias e dificuldade para pagar despesas. Lula, segundo ela, teve dificuldade para apresentar os dados de seu governo de modo próximo à experiência dos eleitores. Ramirez também viu vantagem para o senador ao cobrar resultados sobre dívidas e juros, mas destacou a diferença entre criticar ações já realizadas e apresentar propostas. Mayra apontou ainda uma contradição entre Flávio afirmar que as ideias de Lula não funcionam e prometer manter quase todos os programas do governo, enquanto defende o modelo de Milei.

Tatiana considerou o debate da Globo mais organizado e estruturado do que o da Band, com espaço maior para temas específicos. Ela avaliou Lula como mais tranquilo, presente e combativo, enquanto Flávio alternou entre cautela e agressividade. Ramirez apontou a etapa final, com perguntas sobre uma ilha atribuída a Richarlison, a relação do senador com Willer Tomaz e outros episódios, como favorável a Lula. Já Mayra considerou que a troca de acusações sobre a ilha, o uísque ligado ao caso Vorcaro, a Covaxin, vacina contra a covid-19, e Lulinha foi difícil de acompanhar e pouco acrescentou aos eleitores.

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