
Lula intensifica campanha, mas disputa com Flávio Bolsonaro segue apertada (Foto: Instagram)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocou o comando da campanha, endureceu as críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e acelerou medidas do governo, mas chega ao 2º turno sem vantagem segura. A votação será no domingo (25.out.2026). Pesquisa Vox Brasil divulgada na 6ª feira (23.out) aponta 50,6% dos votos válidos para Lula e 49,4% para Flávio, diferença dentro da margem de erro de 2,15 pontos percentuais. O Datafolha marcou empate de 50% a 50%; o PoderData/Aya indicou 51% para Flávio e 49% para Lula.
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Levantamentos anteriores também mostram disputa apertada: Flávio aparecia numericamente à frente em 16 de 17 pesquisas compiladas, enquanto Lula liderava em apenas uma. Integrantes da equipe presidencial avaliam que seria necessária uma vantagem de cerca de 2 pontos percentuais para considerar o cenário seguro. A campanha concentra esforços no Nordeste, para ampliar votos e reduzir abstenções, e no Sudeste, onde Flávio venceu no 1º turno e Lula tenta diminuir a diferença. O petista teve 63,77% dos votos válidos no Nordeste, quase 300 mil a menos que em 2022, e busca chegar a 70%, conquistando cerca de 2,2 milhões de votos adicionais.
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A abstenção nordestina caiu de 19,5% para 18,4%, abaixo da média nacional de 21,08%, mas mais de 8 milhões de eleitores não votaram. Em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), em 20.out, Lula pediu que pessoas com mais de 70 anos votassem como uma “questão de honra”. No Sudeste, que reúne mais de 40% do eleitorado, a abstenção foi de 22,7%; pesquisa Datafolha da semana anterior apontou Flávio com 51% e Lula com 41%.
A campanha transferiu seu centro de decisões para o Nordeste. Edinho Silva segue na coordenação-geral, enquanto Camilo Santana (CE), Rui Costa (BA) e Rafael Fonteles (PI) assumiram articulação, agenda e comunicação. Sidônio Palmeira se licenciou da Secom após críticas à comunicação do 1º turno. As equipes de Fernando Haddad (SP), Jerônimo Rodrigues (BA) e João Campos (PE) também reforçaram a campanha. André Janones (Rede-MG) ganhou espaço nas redes: o canal “Exército do Lula” tem mais de 10 milhões de inscritos no WhatsApp, contra 2,1 milhões do “Tropa do Flávio”.
Lula concentrou os ataques em dois temas: Bolsa Família e sigilos de Flávio. A reação veio após Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do senador, defender uma transição de dois anos para beneficiários que ingressarem no mercado de trabalho. O presidente afirmou que o adversário ameaça o programa e lembrou que Flávio, quando deputado estadual no Rio, foi o único dos 54 parlamentares a votar contra o Renda Melhor. A campanha do senador diz que manterá e reajustará o Bolsa Família.
Lula autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos e dos dados de parentes, caso Flávio faça o mesmo. O senador comunicou ao TSE que aceita divulgar informações dos últimos 20 anos, sob 19 condições. A disputa começou no debate da Band, em 18.out, com acusações sobre corrupção, patrimônio e recursos ligados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). Na 5ª feira (22.out), as campanhas formalizaram acordo para divulgar os dados simultaneamente; o ministro André Mendonça afirmou que a divulgação voluntária dispensa autorização judicial.
No debate da Globo, Flávio falou sobre endividamento e custo de vida, admitiu erro ao votar contra a ampliação da licença-maternidade e negou que pretenda privatizar Petrobras, Caixa e Banco do Brasil. Lula cobrou explicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis (RJ) com Richarlison e citou Daniel Vorcaro. Após Flávio dizer que Lula “dá com uma mão e tira com os 9 dedos”, o presidente exigiu desculpas, chamou o senador de “miliciano” e afirmou que ele nunca trabalhou. Flávio se desculpou; internautas classificaram a fala como capacitista.
Na reta final, o governo anunciou medidas para mobilizar trabalhadores, beneficiários de programas sociais e microempreendedores. A mudança da escala 6×1, promulgada pelo Congresso em 16.out, prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial, jornada de até 42 horas e início 60 dias após a publicação; a estimativa é beneficiar 14,9 milhões de trabalhadores. O Bolsa Família terá reajuste de 15%, de R$ 600 para R$ 691, com custo previsto de R$ 5,8 bilhões em 2026; os pagamentos de outubro foram antecipados. O governo também anunciou intenção de perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs, medida que pode alcançar 3,6 milhões de microempreendedores.
