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Lula reduz espaço de Edinho, e derrota pode alterar comando do PT


Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, a campanha de Lula passou por mudanças na coordenação, na comunicação e nas estratégias para a etapa seguinte. (Foto: Instagram)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou bastante depois que ele terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Uma das alterações mais evidentes foi a perda de espaço do presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, que continua na coordenação geral.

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Com a campanha mais descentralizada, lideranças do Nordeste ganharam influência. O senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a articulação nacional; o senador eleito Rui Costa (PT-BA) passou a participar das agendas; e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ficou responsável pela comunicação. Há petistas que cogitam antecipar as eleições internas, conforme o resultado presidencial. O mandato de Edinho vai até 2029, e dirigentes mais antigos podem ser responsabilizados por uma eventual derrota.

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A comunicação também foi reformulada. Lula passou a usar uma linguagem mais atual nas redes sociais e a gravar mais vídeos, inclusive no formato selfie. Deputados eleitos da ala jovem da esquerda colaboraram com essa mudança. Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha, afastou-se da Secretaria de Comunicação (Secom) para se dedicar à disputa. Petistas o criticaram pela comunicação considerada “morna” no primeiro turno e o responsabilizaram pelo desempenho abaixo do esperado de Lula no debate da Band.

A equipe recebeu reforços estaduais: Otávio Antunes, Bruno Monteiro e Rafael Marroquim, que trabalharam, respectivamente, nas campanhas de Fernando Haddad (PT-SP), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e João Campos (PSB-PE). O trio ajudou a intensificar, no segundo turno, uma estratégia de “campanha do medo” contra Flávio, diferente da abordagem do primeiro turno, centrada no legado de Lula.

André Janones (Rede-MG), embora não integrasse formalmente a equipe de comunicação, ganhou prestígio e mobilizou apoiadores nas redes por meio do Exército do Lula. Na sexta-feira (23.out), o canal no WhatsApp ultrapassou 10 milhões de seguidores, quase cinco vezes os 2,1 milhões do Tropa do Flávio.

Janja Lula da Silva também passou a receber críticas dentro do PT após o resultado do primeiro turno. Na coordenação, houve queixas de que a primeira-dama interrompia participantes de reuniões, além de avaliações negativas sobre sua “onipresença” e interferências nas ações de campanha. Sua participação em comícios também desagradava a parte do partido, assim como os momentos em que cantava o jingle “Tapete vermelho”, em tom gospel e com referências à trajetória política de Lula.

Em 7 de outubro, a ex-senadora Kátia Abreu (PT), coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, afirmou publicamente que Janja “está ocupando um espaço maior” do que o do vice-presidente Geraldo Alckmin. A crítica havia sido feita um dia antes, em 6 de outubro, numa reunião em Brasília entre Lula e aliados que disputaram governos estaduais e o Senado, convocada para discutir mudanças no segundo turno. Lula continua numericamente atrás de Flávio nas pesquisas, mas atos que lotaram as ruas nessa etapa animaram a militância. O petista também tenta reduzir a abstenção, tarefa difícil diante da desmobilização de palanques em 21 Estados.

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