
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o 2º turno da eleição presidencial, com empate técnico nas pesquisas e propostas distintas para a economia. (Foto: Instagram)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o 2º turno da eleição presidencial no domingo (25.out.2026) e aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas recentes. Os candidatos divergem sobre impostos e o papel do Estado, além de apresentarem propostas distintas para contas públicas, trabalho, programas sociais, infraestrutura e recursos naturais.
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Lula defende a continuidade da reforma tributária sobre o consumo, com o IVA dual formado por CBS e IBS, isenção da cesta básica e cashback para pessoas de baixa renda. Também propõe tributar os mais ricos e rever benefícios fiscais ineficientes. O plano cita a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 e a cobrança de 10% sobre dividendos acima de R$ 50.000 mensais, além da tributação de bets e fintechs. Flávio critica a alíquota estimada do IVA, próxima de 30%, e quer revisar o modelo, reduzir tributos sobre alimentos, combustíveis e energia, desonerar investimentos e exportações e simplificar regras. Sua campanha não detalhou como compensaria os cortes. Bruno Perri, da Forum Investimentos, chamou a redução de tributos de “fantasia” diante da situação fiscal; o economista Pedro Menezes afirmou que prometer cortes agora é “enganar o povo”.
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Na área fiscal, Lula pretende manter o arcabouço e buscar arrecadação maior, estratégia que não impediu o desequilíbrio das contas durante seu 3º mandato. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, maior percentual desde março de 2021, quando atingiu 85,1%, segundo o Banco Central. Lula aposta no crescimento e na tributação dos mais ricos para equilibrar as contas sem cortar programas sociais. Alexandre Schwartsman classificou a proposta como um “Orçamento frouxo”.
Flávio promete fazer os gastos “caberem no Orçamento”, gerar superávits primários e estabilizar a dívida antes de reduzi-la. Propõe limitar despesas discricionárias, extinguir ao menos 10 ministérios, reduzir cargos comissionados, combater penduricalhos e supersalários e retomar privatizações. A equipe fala em cortes de R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões, mas não especifica quais despesas seriam reduzidas. Perri aponta a falta de detalhes e lembra que receitas de privatizações não são recorrentes; Schwartsman chamou a proposta de “grande vazio”. O plano também prevê dobrar investimentos federais em segurança e criar 500 mil vagas prisionais em 4 anos. Augusto Parente considera possível um ajuste, mas cobra explicações sobre sua execução. Nenhum dos programas apresenta projeções completas de custos e da dívida.
Lula vê o Estado como indutor do desenvolvimento: quer ampliar investimentos pelo Novo PAC, fortalecer a indústria, direcionar crédito à inovação e à transição energética, manter estatais como instrumentos de investimento e expandir infraestrutura, Minha Casa, Minha Vida e crédito para pequenos negócios. Flávio defende um Estado menor, concessões e parcerias privadas, estima R$ 900 bilhões em projetos e propõe retomar desestatizações. Também quer atrair investimento estrangeiro para minerais críticos, criar um polo de data centers e rever mais de 1.000 decretos do governo.
No trabalho, Lula propõe salário mínimo acima da inflação, emprego formal, qualificação, combate à precarização, fim da escala 6×1 e jornada semanal de 40 horas sem redução salarial. Também quer ampliar a proteção de trabalhadores de aplicativos. Flávio pretende reduzir encargos da folha, flexibilizar jornadas e negociações e criar contratações mais baratas para jovens de 18 a 24 anos e pessoas acima de 50 anos desempregadas há mais de 12 meses.
Lula planeja manter e ampliar Bolsa Família e Gás do Povo, modernizar o INSS e diversificar o financiamento previdenciário. Flávio propõe reavaliar programas e beneficiários para reduzir dependência estatal e aproximar a assistência do emprego formal, mas nega que vá acabar com benefícios, inclusive o Bolsa Família. Na Previdência, defende digitalizar o INSS, combater fraudes e controlar o crédito consignado.
No agronegócio, Lula quer fortalecer o Plano Safra e a agricultura familiar, ampliar crédito rural, estimular fertilizantes nacionais e elevar estoques públicos de alimentos. Na energia, propõe biocombustíveis, hidrogênio de baixa emissão, eólicas offshore e atuação da Petrobras em refino, gás e fertilizantes. Flávio prioriza produção agropecuária, propriedade, seguro rural e armazenamento; também quer ampliar fontes de energia, incluindo gás natural extraído por fracking.
