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Inalação controlada de ar rarefeito pode aliviar sintomas do Parkinson


Estudo da Unesp aponta que hipóxia intermitente foi segura para pessoas com Parkinson (Foto: Instagram)

Um estudo preliminar da Universidade Estadual Paulista (Unesp) indica que respirar ar com baixa concentração de oxigênio em intervalos controlados é seguro para pessoas com doença de Parkinson. A técnica, chamada hipóxia intermitente, não prejudicou o sono e alterou hormônios e marcadores ligados à inflamação. Os resultados podem embasar pesquisas sobre seu uso como terapia complementar.

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A doença afeta cerca de 11 milhões de pessoas no mundo e envolve a degeneração progressiva de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor importante para o controle dos movimentos. Além de tremores, rigidez e lentidão, pode causar alterações metabólicas, inflamação e distúrbios do sono. Fabio Barbieri, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Movimento Humano e do projeto Ativa Parkinson na Unesp de Bauru, afirma que a técnica ativa mecanismos de proteção sem efeitos adversos observados no estudo.

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Publicado em agosto na revista Parkinsonism & Related Disorders, com apoio da Fapesp, o estudo reuniu 30 voluntários: 15 com Parkinson e 15 saudáveis. Durante uma sessão de 39 minutos, eles respiraram, por máscaras e equipamentos, quatro ciclos de seis minutos de ar com 10% de oxigênio, equivalente a uma altitude de 5.800 metros, intercalados por três pausas de cinco minutos com ar normal, que contém 21% de oxigênio. Em outro dia, os participantes fizeram uma sessão de controle respirando apenas ar normal.

Nos voluntários com Parkinson, uma sessão de hipóxia reduziu temporariamente o cortisol, hormônio associado ao estresse, e a leptina, que atua no metabolismo e na saciedade e, em excesso, favorece a inflamação. Também elevou a adiponectina, substância anti-inflamatória que costuma ficar desregulada na doença; o aumento ainda era observado 24 horas depois. Murilo Henrique Faria, primeiro autor do estudo e bolsista da Fapesp, diz que o desequilíbrio dessas substâncias está ligado à inflamação cerebral, a alterações hormonais e a problemas de sono.

Apesar dessas mudanças nos biomarcadores, a sessão não alterou parâmetros gerais do sono, como o número de despertares e o tempo necessário para adormecer, nem nos participantes com Parkinson nem nos saudáveis. Barbieri avalia que uma sessão pode não ser suficiente para modificar o ciclo de sono e vigília, e defende estudos mais longos. O procedimento também não mudou as taxas de ferro no sangue nem elevou a interleucina 6, molécula relacionada à inflamação.

A hipóxia ajudou ainda a manter estáveis os níveis de BDNF, proteína importante para a proteção e a sobrevivência dos neurônios. Na sessão de controle com ar normal, essa concentração caiu nos pacientes. Carlos Augusto Kalva-Filho, pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências de Bauru da Unesp e coautor, relaciona o possível efeito à hormese: a adaptação do organismo a pequenos estresses. Com alternância e dose rigorosamente controladas, o estímulo pode ativar mecanismos de proteção celular e favorecer a produção de energia. Os pesquisadores ressaltam que a técnica não representa cura nem substitui tratamentos; a possibilidade estudada é de complementar o exercício físico, estratégia que pode melhorar manifestações clínicas.

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