Cientistas criam tecido de fungos parecido com couro para bolsas e roupas

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Pesquisadores finlandeses criam tecido biodegradável feito de fungos que pode servir como alternativa ao couro. (Foto: Instagram)

Pesquisadores da Finlândia desenvolveram um tecido feito de fungos que imita a aparência e algumas propriedades do couro animal. O material é resistente, flexível e biodegradável. O trabalho foi realizado no Centro de Pesquisa Técnica VTT e publicado na revista científica ACS Applied Bio Materials. A equipe, que inclui o pesquisador Manuel Arias-Barrantes, usou o fungo Trichoderma reesei e já produziu uma bolsa experimental com o tecido.

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A pesquisa busca oferecer uma alternativa tanto ao couro tradicional quanto aos materiais sintéticos derivados do petróleo usados na indústria da moda. Uma característica importante do desenvolvimento foi encontrar uma forma de produzir o material em maior escala. Segundo Manuel Arias-Barrantes, um dos autores do estudo, ampliar a quantidade fabricada é um avanço diante das dificuldades enfrentadas por alternativas ao couro animal. O estudo sobre o tecido foi publicado na ACS Applied Bio Materials.

A tecnologia parte do micélio, rede de filamentos que compõe parte da estrutura dos fungos. Essas fibras crescem naturalmente no solo e na madeira e podem ser transformadas em materiais com características semelhantes às dos tecidos. Para obter a matéria-prima, os pesquisadores cultivaram Trichoderma reesei em tanques com água e nutrientes, em um processo semelhante ao empregado na fabricação de cerveja. Durante o crescimento, o fungo forma uma massa espessa.

Depois de recolher e lavar essa massa, a equipe acrescentou celulose e sorbitol, substâncias que ajudam a dar resistência e flexibilidade ao material. A mistura foi espalhada em camadas finas e seca para formar folhas que lembram couro. O processo também permite incluir cores e texturas e combinar o tecido com outros materiais, entre eles o algodão. O trabalho foi desenvolvido no Centro de Pesquisa Técnica VTT, na Finlândia.

Para demonstrar uma possibilidade de uso, os pesquisadores fabricaram uma bolsa com o tecido de fungos tingido de preto, uma base têxtil e uma alça de madeira. A equipe também avaliou uma técnica de produção contínua, que utiliza rolos semelhantes aos empregados pela indústria de papel. Com esse equipamento, foi feita uma faixa de aproximadamente 20 centímetros de largura e oito metros de comprimento. Nos testes de resistência à tração, algumas formulações tiveram resultados comparáveis aos do couro tradicional.

Os testes de decomposição também indicaram potencial: em ambiente aquático, aproximadamente 77% do material se biodegradou em 28 dias. Em condições de compostagem industrial, as amostras se desintegraram completamente em cerca de seis semanas. Os resultados variam conforme as condições de descarte e a composição do tecido. A pesquisa publicada na ACS Applied Bio Materials registra esses resultados, mas a tecnologia ainda precisa ser aprimorada antes de chegar aos consumidores.

Os pesquisadores querem melhorar a resistência ao rasgo e ao desgaste, aspectos importantes para peças usadas no dia a dia. A equipe também pretende aperfeiçoar a fabricação e aproveitar equipamentos já existentes nas indústrias de biotecnologia e impressão para tornar possível a produção comercial. O tecido desenvolvido no Centro de Pesquisa Técnica VTT já demonstrou que pode ser transformado em uma bolsa e produzido em uma faixa contínua, mas os próximos passos dependem de avanços nas propriedades e no processo de fabricação.