ONU registra 1.004 casos de violência sexual na Ucrânia desde 2022

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Destroços de edifício após combates na Ucrânia (Foto: Instagram)

A ONU, por meio do Escritório de Direitos Humanos, divulgou em 18 de setembro de 2026 um relatório que documenta 1.004 casos de violência sexual contra civis e prisioneiros de guerra na Ucrânia desde a invasão russa de fevereiro de 2022. O documento destaca “um padrão chocante de tortura, intimidação e coerção” e enfatiza a continuidade dessas violações em meio ao conflito. O alto comissário Volker Türk expressou profundo alarme diante desses atos abomináveis.

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Dos 1.004 casos registrados até julho deste ano, 89% foram atribuídos a autoridades russas — incluindo membros das forças armadas, do serviço penitenciário e de segurança nacional — e 11% ficaram sob responsabilidade de autoridades ucranianas. O relatório se baseia em entrevistas com centenas de vítimas, documentos judiciais e registros oficiais.

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A maioria das vítimas é composta por homens, sobretudo em locais de detenção, mas mulheres e crianças também foram afetadas, principalmente em regiões ocupadas da Ucrânia. As violações incluem estupro coletivo, mutilação genital, choques elétricos e espancamentos nos genitais, além de outros atos degradantes. A vítima mais jovem documentada tinha quatro anos e a mais velha, 82, sendo ambas atacadas por autoridades russas.

Diversos sobreviventes relataram experiências traumáticas ao Escritório de Direitos Humanos. Um prisioneiro de guerra descreveu ter sido estuprado com um cassetete, outro contou que foi penetrado à força com chaves de cela, e um civil disse ter sido violentado com o cabo de uma pá. Em Zaporizhzhia, uma mulher afirmou que um soldado russo passou a morar em sua casa e a estuprou várias vezes por semana durante um mês em troca de melhores condições para seu marido detido.

Outros relatos incluem a invasão domiciliar em Kherson, onde uma mulher foi estuprada todas as noites e ameaçada com estupro coletivo, e em Kyiv uma família cuja mulher e filha presenciaram o marido ser assassinado e depois foram vítimas de estupro coletivo na frente de um filho de quatro anos. Além disso, ao menos 27% dos atos contra prisioneiros de guerra envolveram choques elétricos nos genitais com o “tapik”, telefone militar soviético.

Türk afirmou que todas as formas de violência sexual devem cessar imediatamente e pediu que tanto Rússia quanto Ucrânia investiguem as denúncias para levar os responsáveis à justiça. Em especial, destacou a necessidade de ações concretas da Rússia para proteger civis e detidos de tortura e violência sexual e reiterou seu apelo para a retirada incondicional das tropas russas do território ucraniano.