
Alunos do ensino médio durante aula: estudo revela envelhecimento acelerado do corpo docente público (Foto: Instagram)
Um estudo do Instituto Semesp, intitulado “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, revela que o número de docentes do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025, enquanto o contingente de professores com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no mesmo período. A pesquisa aponta para o envelhecimento acelerado do quadro docente público e chama a atenção para os impactos na qualidade e na dinâmica das salas de aula.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
O Instituto Semesp alerta que tanto o aumento da proporção de professores próximos à aposentadoria quanto a contratação intensiva de profissionais temporários e terceirizados podem dificultar a renovação eficaz da rede pública de ensino. Segundo projeções do estudo, em 2040 deverá haver apenas um docente de até 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais, dificultando a transmissão de práticas pedagógicas inovadoras.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Os dados detalhados indicam que, em 2015, existiam cerca de 17.300 professores com até 24 anos na rede pública, número que recuou para 11.900 em 2025. Em contrapartida, o total de profissionais com 60 anos ou mais saltou de 18.200 para 37.300 no mesmo intervalo, refletindo o envelhecimento do corpo docente e a baixa entrada de novos profissionais.
As contratações temporárias tiveram um salto de 146.000 para 205.000 entre 2015 e 2025, o que corresponde a um aumento de 40,4%. Em 2015, esses docentes representavam 32,2% do total do quadro público; em 2025, passaram a somar 43,4%. Essa mudança no perfil de vínculos de trabalho levanta questões sobre a estabilidade e a continuidade do processo educativo.
No mesmo período, o contingente de professores concursados, estáveis ou efetivos diminuiu de aproximadamente 305.000 para 255.000, reduzindo sua participação de 67,2% para 54,1% do total de docentes públicos. A queda reflete cortes em carreiras de longo prazo e o aumento de contratos de curto prazo, que podem prejudicar a formação de vínculos duradouros entre escola e professor.
Para medir o ritmo de substituição de profissionais que se aposentam, o Instituto Semesp criou a Taxa de Renovação Docente. Em 2015, esse índice era de 0,95 — o que significava quase um jovem professor para cada professor sênior. Dez anos depois, o indicador caiu para 0,32, apontando menor capacidade de repor docentes mais velhos.
As disciplinas com os menores índices de renovação são Geografia (0,216), História (0,234), Língua Portuguesa (0,240), Sociologia (0,263), Filosofia (0,274) e Artes (0,278). Esses dados sugerem que as áreas de humanas e linguagens enfrentam ainda maiores desafios para atrair e manter novos profissionais.
Os resultados foram apresentados em 16 de setembro de 2026, durante o 28º FNESP (Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro) em São Paulo. O evento contou com a participação de representantes do Ministério da Educação, da Unesco e de delegações de países como África do Sul, China, Colômbia e México.








