
Idoso com expressão confusa recebe apoio da companheira em momento delicado (Foto: Instagram)
Nos últimos 20 anos, a prevalência de demência em países da América Latina e do Caribe subiu de forma notável, segundo estudo publicado na JAMA Neurology. O simples envelhecimento demográfico não consegue explicar sozinho esse avanço, que também está associado a fatores como sedentarismo, doenças crônicas, níveis baixos de escolaridade e acesso restrito aos serviços de saúde.
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Em medicina, demência engloba síndromes como Alzheimer, demência vascular, doença de Parkinson e Creutzfeldt-Jakob, todas caracterizadas por prejuízos à memória, à comunicação, à atividade motora e à autonomia. Esses quadros são mais frequentes entre idosos, o que torna o envelhecimento populacional um componente importante no aumento global dos casos.
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O trabalho, publicado em julho, revela que México, Peru e Porto Rico apresentaram crescimento da prevalência bruta de demência de 10,6% no período de 2003-2006 para 16,9% entre 2016 e 2020. Cuba e República Dominicana mantiveram índices relativamente estáveis, mas elevados, de 8,8% e 9,7%, respectivamente.
“Estimativas globais costumam derivar de modelos que extrapolam dados de países de alta renda”, explica o neurologista Jorge Llibre-Guerra, professor da Universidade de Washington e primeiro autor do estudo, em entrevista à Agência Einstein. “Nosso estudo utilizou amostras comunitárias e ferramentas diagnósticas culturalmente adaptadas para medir a prevalência diretamente.”
Quando ajustadas estatisticamente para mudanças na estrutura etária, as taxas de México, Peru e Porto Rico continuaram aumentando, o que sugere a presença de fatores além do envelhecimento populacional tradicionais, afirmam os pesquisadores.
O sedentarismo, responsável por elevar o risco de obesidade, diabetes e hipertensão — todos fatores de risco para demência —, o acesso limitado a cuidados primários de saúde e a baixa escolaridade das gerações mais velhas, que não usufruíram de melhorias educacionais no início de suas vidas, são apontados como contribuintes importantes.
O aprimoramento das práticas de diagnóstico também influencia o aumento de casos identificados. A Academia Brasileira de Neurologia recomenda avaliação clínica detalhada, rastreios cognitivos adaptados como o MEEM, o MoCA e a BBRC, além de exames laboratoriais, neuroimagem e biomarcadores, para iniciar o tratamento o mais cedo possível e frear a neurodegeneração.
O tratamento da demência reúne abordagens medicamentosas — com inibidores de acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina), memantina e, em situações selecionadas, anticorpos direcionados à beta-amiloide — e terapias comportamentais. Entre estas, exercícios físicos regulares, atividades que estimulem funções cognitivas e controle de fatores de risco como sono, depressão e problemas sensoriais são fundamentais para preservar a autonomia do paciente.
